Welcome to Toronto

São 6h38 da manhã, ainda que o sol não tenha dado o ar da graça. Estou rolando na cama pelo menos desde as 5h. Também durmo invariavelmente antes das 19h30: consequênica de uma diferença de fusos de 5 horas entre Braga e Toronto.

Cheguei ao Canadá na última quinta feira, depois de semanas turbulentas em Portugal. Muita coisa pra fazer num espaço de tempo decididamente curto. Uma ligeira escapade à Paris – de onde cheguei dois dias antes de embarcar para Toronto -, tornou minha preparação (física e psicológica) praticamente inexistente.

Foi assim, com a cara e a coragem que deixi minha nova vidinha do lado de lá do oceano para dar uma espiadela no que a vida promete por aqui e só o que posso dizer é que estou ainda mais confusa do que pensei que poderia ficar. Em primeiro lugar porque Toronto não é Montreal: sei que ainda não circulei muito pela cidade ontariana, mas não é so a língua que faz delas dois lugares completamente diferentes. Em segundo lugar porque da primeira vez que estive aqui era verão, e agora estamos no fim do inverno. Tenho até tido sorte: passei mais frio no meu fim de semana na França do que em Toronto até o momento.

Estou instalada num quarto alugado via AirBnB. Como alguns já sabem, não vim para ficar de vez. O ano letivo português me obriga a voltar para a terrinha o mais rápido possível e esse rápido se concluirá na segunda-feira de Páscoa. É, vocês não leram mal, não. Por aqui (em Toronto) tem segunda-feira de Páscoa, mas fiquei coma  sensação de que é num feriado ‘opcional’.

Bom, vou ficar um mês, mas e a+i, pode mesmo sair do Canadá e voltar depois, sem problemas? Sim, pode. E tem duas maneiras de fazer isso de consciência limpa, sem infringir regra nenhuma. A primeira delas é entrar e sair do país e deixar para fazer o PR Card quando voltar. Neste caso, como vc já terá utilizado a única entrada concedida pelo visto de imigração, você precisará pedir uma espécie de visto de reentrada, o Permanent Resident Travel Document (PRTD). Isso também vale pra quem perdeu o PR Card numa viagem ao exterior ou cuja validade do cartão tenha expirado e o novo cartão não tenha chegado antes de sua saída do território canadense.

A outra possibilidade é aquela com a qual eu estava contando antes mesmo de saber que era possível: pedir para um amigo receber seu PR card e enviar ara você por correio. Essa, aliás, foi a sugestão do immigrantion officer ainda no aeroporto, quando abri o jogo e expliquei que precisaria voltar para Portugal no início de abril. Basicamente, ele perguntou se eu conehcia alguém no Canadá e se eu não queria utilizar o endereço desses conhecidos para receber o cartão, já que este levava em média dois meses para ficar pronto. Dois dias depois, no Newcomer Settlement do YMCA, o profissional que me atendeu deu a mesma sugestão. Enfim, foi isso mesmo que fiz. Só estou agora na pendência de enviar os documentos de processamento urgente para Halifax (eles não fazem isso no landing, é preciso encaminhar por correio), o que não deve passar de hoje.

Sobre o landing. Eu cheguei num vôo vindo da França (não havia vôo direto do Porto, então fiz escala em Paris) e talvez por isso não tivesse praticamente ninguém para o landing, ainda que houvesse muita gente entrando no país e, portanto, passando pelo controle de passaportes. O aeroporto é grande e a fila do controle por auto-atendimento era imensa, mas ágil. É, até quem está imigrando como residente permanente passa primeiro pelo auto-atendimento. Ali você escolhe sua categoria de entrada (visitante, residente permanente, trabalhador temporário, etc), tira uma foto (onde as olheiras parecem ainda mais evidentes por causa da luz forte) e pega um ticket. O meu estava marcado com um X, que fez com que, ao me dirigir para buscar as bagagens, eu fosse redirecionada para uma sala lateral, com vários guichês, para fazer o famoso landing.

Então, o agente de imigração pediu o COPR, meu passaporte, perguntou as mesmas informações que estavam na minha folha, anotou outro tanto de coisa a caneta, me fez assinar mil vezes (mentira, foram só três vezes em cada folha) e perguntou se eu queria fazer o pedido do PR Card mais tarde ou naquele momento. Não pediu comprovantes de local de alojamento nem extratos bancários. Foi mesmo só o COPR e o passaporte. Eu estava sozinha, então foi absurdamente rápido, não deve ter durado mais de 15 minutos.

Foi tão rápido que me surpreendeu e eu fiquei sem saber muito bem o que fazer, pois tinha combinado de entrar no apartmento bem mais tarde. Aproveitando o wi-fi do aeroporto, escrevi para minha anfitriã e combinamos um horário melhor para ambas. Pensei em pegar o transporte público, mas o cansaço, o peso das malas e a falta de orientação especial (não conseguia encontrar a entrada do trem), me empurraram para o taxi. A corrida até downtown Toronto custou 55 dólares.

 

Nos próximos dias comento sobre o Newcomer Settlement, os Language Assessment e o SIN Number, assim como as minhas primeiras impressões sobre a cidade.

Au revoir. Ooops, see you later!

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Passagens compradas

So, it’s finally settled. Eu nem cheguei a escrever aqui sobre a minha indecisão do “para onde”. Desde que fui obrigada a abdicar do Québec – porque, ao contrário de muita gente, esse não era o recurso mais simples, mas o que eu considerava ideal pelo bilinguismo -, tenho pensado muito em para onde ir. Ter obtido a residência permanente pelo Express Entry abriu portas inesperadas (Vancouver?), mas, provavelmente pela questão do bilinguismo, eu tinha encasquetado há um tempo com a ideia de ir para Ottawa…

Só que no momento em que precisei colocar tudo numa balança, Ottawa se mostrou uma opção não muito atraente. O sistema de transporte público – que não conta com metrô – e, principalmente, minha chegada no fim do inverno me fzeram repensar as coisas.  Ah, estou dando peso demais ao metrô? Eu não acho. Vejam bem, eu passei uma curta temporada em Ville de Québec, onde também não há metrô, e a pontualidade do transporte era impecável. Só que eu estive lá no verão: depender de ônibus no inverno é uma situação bastante diferente. Acidentes são mais frequentes e nem sempre eu poderia contar com um abrigo contra vento e neve. Enfim, sob o meu ponto de vista, isto meme obrigaria a procurar locais mais próximos ao centro da cidade e áreas turísticas que, consequentemente, são mais caros.

O segundo fator a pesar foi o preço da passagem aérea. Se esta fosse minha mudança definitiva, eu não me importaria em pagar mais para poder levar mais bagagem, ter o mínimo de conexões, etc e tal. Fiz isso ao vir para Portugal. Acontece que esta é uma estada temporário e curta, em que levarei o estritamente essencial (depois da minha última mudança, de qualquer maneira, eu nem tenho mais tanta coisa assim para levar). Estou acompanhando o preço das passagens há algum tempo e o destino mais barato, a partir de Portugal, é e sempre foi Toronto, mas mesmo a cidade ontariana estava subindo um bocado nos últimos dias. Assim, eu estava me martirizando por não ter me decidido antes, quando as passagens estavam na casa dos 400 euros. Montreal então, tinha disparado: não achava nada por menos de 550 euros. Do Brasil, Quebec e Ontario tem valores semelhantes e, ultimamente, há ótimas promoções, mas estava fora de questão voltar ao Brasil para ir ao Canadá, especialmente porque os vôos da terrinha para SP não são dos mais baratos.

E então na noite de Natal eu resolvi me aventurar novamente, a partir da pista dessas promoções brasileiras. Percebi que a maioria era da Delta e resolvi testar a mesma premissa por aqui. Sorri: havia sim passagens na casa do 410 euros saindo do Porto. Com uns horários meio esquisitos, é verdade, mas tudo bem. Aprofundando a minha busca (diretamente nos sites das empresas aéreas), descobri um vôo da Air France, com ótimo horário de partida do Porto e de chegada em Toronto por nada mais nada menos que 360 euros. E o melhor, consegui pagar em reais, evitando as taxas do IOF. Sim, só posso despachar uma mala além da mala de mão, mas por pouco mais de 1400 reais, eu estava pra lá de contente. Parto em 1o de março de 2018, cerca de 10 dias antes de o meu visto expirar.

A dúvida agora é sobre a hospedagem: gasto mais e tento ficar em downtown ou me hospedo na Grande Toronto e experimento algo mais próximo de uma realidade futura por um preço mais em conta? Mesmo se decidir  ficar mais longe, em que direção devo ir? Norte? Leste? Oeste? Alguém opina sobre o que é melhor?

Sobre o cartão de residente permanenteConversei também com um amigo de longa data cuja irmã mora na Grande Toronto desde 2005. Ele ficou de conversar com ela para ver se poderiam receber meu PR Card. Outro amigo do copain vive em Vancouver: é minha segunda opção. Se nenhuma delas der certo, peço uma uma autorizaçao de viagem e volto no verão para terminar de resolver esta pendência. Desejem-me boa sorte! 😉

 

(in)Decisões

Meu último relato aqui foi provavelmente bastante destoante de todos os demais, um desabafo com toda a carga emocional sentida no momento da escritura. Mais de um mês se passou e, desde então, muita coisa mudou: o copain chegou, arranjamos um apê para chamar de nosso (ao menos temporariamente) e o mestrado começou a fluir. Enfim, o rumo natural das coisas.

No entanto, há uma coisa que continua igual: o meu estado de indecisão. Durante o meu colapso do mês passado, havia chegado a conclusão de que devia abandonar a idéia estapafurdia de ir para o Canadá de um vez por todas. Ora, se eu estava tão miserável em Portugal, o que não seria de mim numa terra gelada onde nem minha língua falam? Fiquei de tal forma abalada que esta decisão parecia imutável. Fora o gasto de dinheiro que, decididamente, não cresce em árvores. Adieu, Canada!

E então chega o copain, o mesmo copain que cerca de ano atrás decidiu trocar de plano migratório, dizendo que eu não devia fazer isso, que devia tentar para não me arrepender depois. E nesse momento, meu coração já estava cicatrizando, já estava irremediavelmente propenso a novos arranhões. On y va, Canada!

Mas ir pra onde? Antes de prosseguir nessa divagação, é preciso fazer um adendo. Não sei se comentei alguma vez aqui, mas desde que tive o visto canadense aprovado, estou estudando maneiras de conciliar mestrado num país e residência permanente em outro. O site da UMinho me deu a impressão errônea de que o curso era oferecida em b-learning, ou seja, majoritariamente on-line, e isso parecia ser a solução dos meus problemas, afinal, poderia estar no Canadá e continuar os estudos aqui. Na verdade  tal b-learning funciona apenas como uma maneira de repor as aulas que os professores não conseguirem cumprir presencialmente, seja lá qual for o motivo, e com isso, meus planos  iniciais foram água abaixo.

Como eu sempre tenho um abecedário de planos, parti para o plano B: trancar o mestrado por um semestre e passar pelo menos três meses no Canadá. Tempo suficiente para receber o PR card e ficar apta à utilização dos serviços médicos da província onde eu me instalar. É a opção mais segura e certamente a mais provável de acontecer, mas estou resistente por dois motivos em especial. O primeiro são os três meses de “solidão” e a experiência portuguesa está bem fresca na memória para eu fingir que não vou sofrer com isso. O segundo, e talvez mais decisivo no momento, é o custo dessa brincadeira, pois não apenas teria que arcar com todos os custos da nova imigração, mas também perderia o ano de propinas pagas na universidade portuguesa, além de atrasar a conclusão do curso.

Tentei, finalmente, encontrar uma solução de médio prazo, que ainda não sei se é muito descabida. Pesquisando no site do CIC, descobri que os residentes permanentes que ainda não obtiveram o PR card podem deixar o país solicitando um visto de reentrada. É meio que um tiro no escuro: eu entro no país, fico um tempo, saio, e quando voltar, peço um visto de reentrada que pode ou não ser aprovado – e essa aprovação vai depender da minha justificativa, que, no caso, seria a conclusão do semestre de faculdade (não sei se é um motivo forte o suficiente para os canadenses). Isso seria realmente empurrar a decisão final com a barriga e entregá-la aos deuses, pois é muito incerta.

Mas existe um jeito de acelerar a emissão do PR card e, para isso, eu precisaria passar um mínimo de três semanas nas terras do Norte (que já nem estão tão ao Norte e sim a Oeste). Novamente teria que justificar essa urgência – e completar um ano de estudos não aparece no rol de justificativas possíveis do CIC. Entretanto, isso acabou me dando uma outra ideia que talvez pudesse funcionar.

O copain tem um amigo de longa data que mora desde quase sempre em Vancouver e a irmã de um grande amigo meu mora há muitos anos em Toronto. E se um deles pudesse receber o meu PR card? O que eu quero dizer é mais ou menos o seguinte: eu vou em março (pra algum lugar do Canadá), dou entrada no pedido do PR card urgente com o endereço de um deles, fico cerca de mês e volto para Portugal. Se julgarem meu pedido urgente, volto pra cá com o PR card em mãos; se acharem que não é, um desses amigos me remeteria o cartão depois, por Fedex, DHL ou qualquer coisa do gênero. E aí, enfim, no verão, de férias do mestrado, eu iniciaria de fato a imigração canadense, sem o medo de ter o visto de reentrada no país recusado.

Bom, acho que já dei nó na cabeça de muita gente. No próximo post, falo da minha outra indecisão: o destino.

Au revoir.

Choices…

No último dia 18 dei meu derradeiro adeus. Depois de tanto ensaio, tanto trabalho, tantas noites em claro. A vida em três malas de 23 kg e as saudades antecipadas pesando toneladas. Eu não desembarquei no Canadá, como muitos de vocês podem estar imaginando. Há dez dias vivo em Portugal.

É difícil descrever meu estado de espírito atual. Cheguei sozinha, sob o céu cinza e a garoa fina. As nuvens choravam comigo? É difícil saber. Tão difícil quanto descobrir se estou fazendo a coisa certa, quanto adivinhar se vai valer a pena. O tempo firmou em poucos dias e o sol brilha lá fora, mas ainda não estou feliz.

Muito tempo atrás eu comentei neste mesmo blog que tinha sido aprovada num mestrado por aqui. Acredito que também comentei que, por um motivo qualquer, meu namorado parecia preferir um futuro em Portugal. Eu tinha um deadline: as aulas começariam em 03 de outubro. O projeto dele, como sempre, era a perder de vista.

Não vou comentar por hora sobre os procedimentos para obtenção do novo visto.  Tiveram lá sua carga de stress, mas, em comparação aos mais de dois anos de preparo para o processo canadense, o português foi quase como puxar um band-aid (rápido e quase indolor). O fato é que temos os dois o selo que autoriza nossa entrada e o trabalho vinculado a uma empresa que acabamos de criar. Eu aqui e ele no Brasil, ao menos até o final do próximo mês.

Ainda não tenho casa, não tenho amigos, não tenho vontade de chamar este lugar de lar. Tudo é estranhamento. Espero ele chegar com a ânsia de que, finalmente, meu coração possa se acalmar. As despedidas foram intensas e estar longe de todos dói tanto. Dói muito mais do que eu lembrava, dói muito mais do que eu poderia imaginar.

Daí o meu primeiro impulso é me afastar e recusar o contato, porque isso traz a lembrança do que eu deixei pra trás. Além disso, eu não quero contar dos meus dias aqui, porque, salvo breves momentos em sala de aula, eu me sinto uma fraude, lutando para conquistar um lugar (qualquer lugar). É extremamente doloroso tentar demonstrar a todos que as coisas vão bem e ainda pior ter de ouvir repetidamente o mesmo conselho de quem não sabe o que aconselhar. “Tudo vai passar, você vai se adaptar”. Eu sei disso. Eu já fiz isso. Mas nada impede que eu me dilacere todas as vezes que isso ocorre.

Hoje, só me resta admitir que eu – que gosto tanto de estar sozinha – sofro de solidão. Aceito recomendação de chás milagrosos e canções animadinhas. Palavras, bastam as minhas.

 

A saga continua – parte 2

Já dizia um ditado popular que miséria pouca é bobagem, não é? Pois minha saga canadense rende um roteiro digno de Desventuras em Série (se contarmos desde as primeiras tentativas para o Québec, então…) Mas, exageros à parte, eu nem desconfiava que teria novas borboletas no estômago quando recebi o e-tracking da VFS Global (agencia que cuida do encaminhamento de vistos para o Consulado do Canadá). Então senta que lá vem a história…

Algum de vocês é ansioso? As minhas unhas comprovam que eu sou. Ao extremo. Meu maxilar deslocado também. Mas após o e-tracking eu relaxei um pouco com relação ao Canadá porque precisava focar no pedido de residência temporária português. Minhas aulas começam em outubro e seu eu não quiser gastar todas as minhas economias em passagens aéreas, é importante ter o visto em mãos o mais rápido possível. Consegui m desvencilhar deste problema por volta do dia 20, apenas três dias depois do e-tracking canadense. E como todo consulado trata a concessão de vistos como se fosse um segredo de Estado, não tinha muito a fazer  até eles se pronunciarem, o que me fez voltar a focar no processo canadense.

Todos os dias, pelo menos umas três vezes por dia, eu invadia o MyCIC na esperação de ver um APPROVED (já tive esse gostinho quando solicitamos o visto de turista), mas o e-mail do pedido de passaportes dizia desde o começo que levavam cerca de 10 dias úteis para finalizar a emissão. Mesmo que o correio apontasse a entrega no dia 14, adotei o dia 17 para iniciar essa contagem, afinal, foi quando recebi o e-tracking e a comunicação de que meu passaporte tinha sido transmitido ao Setor de Vistos do Consulado.

O tempo foi passando, passando, e eu devorando blogs para tentar estimar o tempo médio de devolução. Nessa busca, tive a confirmação de o status do MyCIC me alertaria que tudo estava terminado e não ver essa alteração acontecer dia após dia foi aumentando ainda mais o meu estado crítico. Então, numa tentativa de aplacar minha ansiedade, resolvi reler a cartinha do pedido de passaporte. Nem sei o que esperava encontrar lá, mas, pela primeira vez me dei conta que, ao lado do pedido de fotos, havia um link. Este link aqui. Como é que eu não tinha visto isso antes?

Bom, mais uma coisinha pra passar o tempo, né? Pra passar o tempo e pra perceber o quanto eu sou estúpida e retardada e inconsequente e todos os adjetivos ofensivos o suficiente para retratar minha frustração naquele momento. P*rra (de novo!), pra que raios serve a triagem do VAC se eles não se dão conta de que eu não atendi a um dos requisitos básicos para a emissão do visto? Por que não me devolveram meus documentos de imediato? Por que não me solicitaram novas fotos? Por que encaminharam tudo pro Consulado assim mesmo? Por quê? Por quê? Por queeeeeeeeê?

Hora de ter cabeça fria e procurar solução, afinal chorar sobre o leite derramado não resolve a vida de ninguém. Mandei um e-mail para o VAC. Como eles não são exatamente rápidos para responder (a parte do e-mail automático que recebemos a cada envio), resolvei tentar um contato direto com o Consulado e, para a minha surpresa, recebi uma resposta logo após o almoço. Eu devia enviar as fotos diretamente para eles.

Toca procurar lugar pra tirar foto o que, por incrível que pareça, é algo praticamente inexistente no centro de São Paulo. Saindo novamente em pleno horário de serviço pra resolver perrengue (haja hora extra pra compensar tudo), achei uma gráfica que fazia o serviço pela bagatela de 14 reais.  É, 14 reais por duas fotos que ficariam prontas na hora, com qualidade profissional (faz-me rir). Acontece que além do formato 5×7, o Consulado também exige que o fotógrafo ou estúdio fotográfico esteja identificado no verso da foto, ou seja, não dá pra pegar aquele seu arquivo jpeg e simplesmente mandar “revelar” por alguns centavos, no tamanho que você quiser.

Como não podia ser fácil, logicamente que a pessoa que me atendeu estava em treinamento e, certamente, estava fazendo aquilo pela primeira vez na vida. E olha que eu nem sou do tipo fresca, que fica preocupada se saiu bonita na foto. Eu disse que a primeira já tava boa, só queria terminar aquilo logo e, quem sabe, deixar o pacote no correio naquele dia mesmo. Mas não, ela ficou pelo menos uma meia hora brigando com a impressora que “revelava” a foto na hora e depois, outra meia hora brigando com a guilhotina. Errou o corte, precisou imprimir de novo. Chamou a gerente, voltou a cortar com a guilhotina e então, quando eu pego a foto pra levar embora, me dou conta que o corte inferior está mais ou menos na altura no meu umbigo.

Foi isso que você leu mesmo: a menina me enquadrou da cintura pra cima. E se você tiver aberto o pdf com as orientações para a fotografia, vai notar que eles são bem específicos com relação ao plano escolhido: deve ser um close do rosto, começando logo acima do busto, enfim, ombros, pescoço e cabeça, exatamente como qualquer foto de documento. Quando reclamei, a atendente olhou pra gerente como se eu fosse a cliente implicante e a segunda decidiu fazer ela mesma o servi;o que a outra tinha começado. A foto ficou longe de ficar boa. Pra começar porque o balanço de cores ficou errado (digamos que a foto ficou ligeiramente azulada), segundo porque, ao dar o zoom para o novo enquadramento, a imagem estava menos nítida. Não chegou a ficar péssima e, como eu já estava de saco cheio de ficar ali esperando, levei do jeito que estava, me amaldiçoando por não ter feito as coisas no tempo correto.

Como não podia ficar ainda mais tempo ausente do trabalho voltei e me prometi que iria mandar o envelope no dia seguinte por Sedex Hoje (amigos me convenceram que o Correio toma mais cuidado com este tipo de postagem, além do acompanhamento em tempo real). Dia 26, as 16h, meu envelope foi recebido no Consulado e as 18, ele chegou ao CCD Água Branca. Cuma? Afinal, foi entregue ou não foi?

Pois eu ainda não sei. Meu colega da mesa ao lado disse que foi apenas um erro de alimentação do correio, para eu me tranquilizar. O Consulado, que me respondeu tão rápido da primeira vez, simplesmente ignorou todos os meus e-mails posteriores (foram três ao todo). Hoje, batendo no 11o. dia do envio do e-tracking, resolvi ligar no Consulado. Uma sucessão de mensagem gravadas e ninguém para auxiliar em nada. Estou começando a entrar em pânico novamente, por medo de que meu visto seja negado porque não receberam as fotos no tamanho correto e, principalmente, por receio de que meu passaporte não retorne antes da entrevista do Consulado português que pode ser marcada a qualquer momento.

E agora vocês já estão em dia com o andamento do meu visto. Assi que eu avistar um sinal de fumaça, passo por aqui.

 

 

 

A saga continua – parte 1

Eu passei na fila da emoção muitas vezes antes de nascer, e essa emoção toda resolver invadir o meu processo. Para contextualizá-los (afinal eu anda desaparecida do blog), estou completando hoje o 11o dia útil desde que enviei meu passaporte ao Consulado. E vocês nem fazem ideia de quanto eu já suei frio por causa disso.

Recebi o pedido de passaporte no dia 10 de julho, com extrema surpresa e apreensão. O primeiro arroubo emocional: como assim o CIC processou minha candidatura tão rápido? Como isso pôde acontecer quando eu menos esperava? Por que tinha que acontecer junto com a aprovação no Mestrado? Eu, que já tinha feito os planos de transferir meu processo para Portugal, que tinha certeza que nada sairia antes de novembro, agora tinha que mandar meu passaporte com urgência para o VAC de São Paulo. Por que urgência? Porque ele tinha que estar de volta para a entrevista do Consulado de Portugal, que eu imagino que deve acontecer a partir da segunda quinzena de agosto. A ansiedade em mandar foi tanta que só podia dar em m*rda mesmo…

Depois de pagar as taxas do VAC e juntar duas fotos 3×4 (atenção a este detalhe!), declarações e passaporte, deixei meu episódio fechadinho no Correio mais próximo do trabalho, como já fiz outras tantas vezes no último mês. Até aquele dia, nunca tinha entendido porque as pessoas se queixavam tanto dos Correios. Pois hoje eu sei. Para o envio, selecionei um Sedex comum, afinal, o dinheiro não tá sobrando (ah, se eu soubesse…), e ia chegar no dia seguinte mesmo.

Deixei o envelope no correio e, no meio da correria do trabalho, me esqueci dele até a noite do dia seguinte, quando, certa de que o pacote tinha sido entregue, resolvi apenas confirmar se ele já tinha chegado. Não tinha. Como assim não tinha? Simulei novamente o prazo de entrega e, de acordo com o próprio site dos Correios, tinha que ter sido entregue naquele dia. No tracking, o último movimento registrado era a saída da agência para o centro de distribuição no dia anterior, mas era um movimento sem conclusão: não havia o recebimento do envelope no CCD. No dia seguinte bem cedo, com uma pulguinha atrás da orelha mas ainda otimista, resolvi ligar no VAC. Devia ser apenas falta de atualização e meu envelope devia estar por lá. Pediram meu numero de rastreio. Não, não tinha chegado.

Alerta, resolvi abrir uma reclamação nos Correios. Só o que me passava pela cabeça era que a Polícia Federal estava com emissão de passaportes suspensa. P*rra, só faltava terem perdido meu passaporte… Recebi um e-mail automático e, não contente, resolvi ligar no SAC deles. Recebi a mesma informação do e-mail: meu envelope não podia ser localizado pelo sistema e eu teria uma resposta deles em até cinco dias úteis caso não fosse encontrado, podendo solicitar uma indenização tosca neste caso. Indenização? “Helooo, seu atendente, você tem noção do que vai acontecer com a minha vida se não acharem esse envelope? Eu tenho um infarto fulminante.”

Como nenhum serviço de call center serve pra nada além de ouvir a gente soltar os cachorros e vociferar a respeito da incompetência da empresa que representam, o atendimento dos Correios cumpriu sua função. Pois bem, já que eles não conseguiam rastrear o paradeiro do meu envelope, decidi fazer o serviço eu mesma. E depois de mil pesquisas na internet e uma manhã perdida no trabalho para descobrir onde ficava o tal centro de distribuição, peguei um taxi e fui até a zona sul da cidade gastar além do necessário para um Sedex Hoje ou um envio DHLsó para chegar no CCD Saúde, onde, obviamente, ninguém sabia do meu envelope. “Não chegou aqui, não.” Expliquei, implorei, tremi e minha cara de gato de botas deve ter sido tão crível que a atendente disse que iam continuar procurando e meu deu o telefone dela pra eu ligar mais tarde pra ter notícias.

Tomada de total desalento, voltei para o trabalho, mas decidi antes passar pela agência onde tinha deixado o envelope dias antes. “Vai estar lá! Registraram a saída, mas deve ter caído do pacote! Só pode estar lá! Pensamento positivo, menina!” Mas ao receber minha trocentésima negativa, eu desabei. Tomada pelo pânico, minha boca secou e as lágrimas tomaram meu rosto. Eu tremia enquanto a gerente tentava ver o paradeiro dos outros pacotes enviados ao CCD junto com o meu: todos tinham chegado ao destino.

Depois de me acalmar um pouco, resolvi seguir para o restaurante onde um colega de trabalho comemorava o último dia de trabalho antes da aposentadoria. Os colegas que sabiam do meu percalço tentavam me consolar e eu consultava a internet freneticamente para verificar as condições da emissão do passaporte de emergência. Apenas revirei a comida e voltando ao escritório, sem muita esperança, entrei automaticamente no rastreio dos Correios. E, para o meu êstase, lá estava o meu envelope, seguindo para o destino final. Assim, sem ter passado por lugar nenhum, ele “milagrosamente” reapareceu no sistema, saindo da agência mais próxima ao Consulado canadense em direção ao VAC. Meu coração se acalmou momentaneamente, mas eu só sosseguei mesmo três dias depois, quando recebi o e-tracking do VAC.

Você tá achando que acabou? Amanhã tem mais um capítulo.

 

E agora, José?

Acabaram de pedir meu passaporte e minha cabeça, que já estava dando múltiplas voltas, está a ponto de sair de órbita. Hoje faz exatamente 132 dias que recebi o ITA; 104 que recebi minha AOR. Foram mais de dois meses para ser aprovada nos exames médicos e agora, sem mais nem menos, eu vou receber meu visto? Os visto que eu persegui durante quase 2 anos e meio e que eu jurava que não sairia antes de novembro. Alguém me belisca, por favor. Justo quanto eu recebo minha aprovação no mestrado? Por Deus, o que eu tô fazendo com a minha vida…

(em pânico)

(mas feliz)

A volta dos mortos-vivos

Hi bonjour! Primeiramente preciso fazer um mea culpa. Há mais de três meses não passo por aqui e no último post ainda aguardávamos o atestado de antecedentes criminais do copain para finamente submeter a candidatura à imigração canadense. Muita água rolou desde então e eu precisei me afastar de tudo para recuperar um pouco de sanidade. Olhando pra trás, do momento em que me encontro agora, eu gostaria de ter sido menos ansiosa, de ter surtado menos e de… ter demorado mais. É, um bocado contraditório, não?

Os documentos, as traduções, as explicações, enfim, a minha vida no papel ficou pronta em 28 de março e, logo após apertar o botão de envio, recebi o famoso AOR (a vida dos aplicantes do Express Entry é recheada de siglas), que pra falar bem a verdade eu não sei exatamente o que abrevia. A carta tinha o numero da minha inscrição e um novo item foi criado no meu cadastro do MyCIC: Permanent Residency.

Após atingir este ponto começa de fato o processo análise do seu pedido de imigração e o site do CIC promete que o tempo médio de processamento é de até 6 meses. Todos os aplicantes, não importa exatamente por que linha seu ITA foi concedido (indicação de província, CEC e FSW, Inland e Outland). Na época de “vagas magras”, a primeira alteração de status costumava ocorrer duas semanas depois da AOR. Acontece que este ano, estão processando mais que o dobro de candidaturas e, a meu ver, isto já está impactando no tempo de emissão do visto de residente. Para vocês terem uma ideia, só tive a confirmação de que os exames médicos estavam ok mais de dois meses depois da AOR, no último dia 03 de junho.

Mas eu falei lá em cima que gostaria de ter demorado mais, não foi? E por quê? Bem, tudo o que li até o momento me dá a entender que terei que fazer o landing até um ano após a emissão do meu laudo médico, que foi concedido em 04 de março de 2017. Se fizermos de conta que o prazo médio de 6 meses será respeitado, eu terei que entrar o Canadá entre outubro deste ano e fevereiro no ano que vem. Outubro (e talvez até novembro) eu já deveria riscar da lista, pois se o ok dos exames médicos levou 2 meses, estou prevendo que o visto só deve sair mesmo em dezembro. Ou seja, tudo indica que eu terei que imigrar em pleno inverno.

Tem ainda um segundo porém do qual eu ainda não tratei aqui. Nos próximos meses o copain irá para Portugal por conta de uma oportunidade profissional – deve passar de uma  dois anos por lá. Já sabíamos disso desde antes do ITA e foi um dos motivadores para eu me candidatar sozinha, só que agora, com essa previsão de atraso, eu comecei a repensar os planos que tinha feito. E uma ideia besta está me fazendo reconsiderar o calendário: a possibilidade de fazer um Mestrado em Tradução trilíngue na terrinha. Minha documentação já está em análise da universidade e no início de julho fico sabendo se fui aprovada. Se isso acontecer, terei de dar conta de mais algumas reviravoltas, como ir primeiro a Portugal, transferir meu processo de imigração para a Embaixada do Canadá de lá, entrar em Ontário por dois meses para conseguir o cartão de residente e retornar à Europa para finalizar o curso. Enfim, é uma confusão que prefiro explicar se e somente se eu for aprovada (ou nem vale perder o tempo de pensar). Se eu tivesse feito meus exames médicos em maio, os problemas seriam bem menores…. rs

Tem gente que vai ler isso e achar que estou tentando atirar para todos os lados. Na verdade, a mira é mesmo no Canadá. Procurando por empregos na região de Ottawa vi várias vagas para tradutores francês-inglês, com e sem necessidade de registro na Ordem. O problema é que, além do custo do mestrado canadense ser alto, não há nenhuma opção que inclua o português como uma terceira língua, além de que costuma ser pré-requisito que o inglês ou o francês sejam língua materna. Aqui no Brasil essa opção também é inexistente e o legal do mestrado português é que, assim, como o canadense, tem um ano de teoria da tradução bem forte – fundamental para construir uma base que meu curso de licenciatura não me deu.

Por enquanto, continuo acompanhando o andamento da minha candidatura canadense. Assim que tiver novidades, dou um alô – mas, por enquanto, nem sinal de fumaça para a próxima fase.

 

Exames. Checked?

Já tem cerca de uma semana que estou enrolando para escrever este post, mas existem motivos concretos para isso. Queria falar da experiência como um todo, incluindo o exame médico do copain, que, por uma série de desinformações, só conseguiu concluir esta etapa hoje. E como não sou quase nada ansiosa, arranjei mais alguns motivos para aumentar a minha insônia.

Nossos exames foram realizados em dias diferentes, pura e simplesmente porque não sabíamos que o copain também teria que passar pelo exame médico. Eu só descobri isso ao terminar de preencher o formulário do pedido de visto (aquele mesmo em que eu tive que listas todas as nossas saídas do país, uma a uma, nos últimos dez anos e que levei uns dois ou três dias pra terminar porque não sabia se poderia corrigir os dados depois). Inicialmente achei que tinha preenchido algo errado e que, por isso, estavam pedindo os documentos dele, mas depois descobri isso aqui:

“If you apply for permanent residence, you must have an immigration medical exam. Your family members must also have a medical exam, even if they are not coming with you.”

O meu exame foi feito numa clínica de Higienópolis, bairro na zona oeste de São Paulo. Foi minha primeira opção por se tratar do consultório mais próximo da minha casa e depois descobri que é também o consultório com maior disponibilidade de datas atualmente. Mandei um e-mail para eles na quarta-feira, ao qual me responderam que poderiam marcar minha consulta para a segunda-feira seguinte. Perguntei se não poderiam me encaixar na sexta-feira, pois estava com medo que meu ciclo interferisse no exame de urina e fui prontamente atendida. Neste dia, cheguei mais cedo e peguei o pedido do exame de sangue para fazer no laboratório Lavoisier (coberto pelo plano de saúde), o exame de urina foi feito na clínica. O pedido de exame precisa estar no nome do médico autorizado pelo consulado, por isso não adianta pedir para o seu médico de longa data adiantar esse serviço para você. Tentar cortar caminho aqui só vai dar mais despesa, pois vc terá que fazer os mesmos exames duas vezes e o convênio não vai querer arcar com a segunda.

A consulta incluindo o exame de urina custou R$ 400,00 e levou cerca de meia hora dentro do consultório. Passei por ausculta de pulmão e batimento cardíaco, pesagem, medição de altura e pressão, mais o exame de vista (os ceguetas rebeldes como eu devem levar os óculos) e por um questionário interminável em que minhas resposta sempre eram não. Saindo de lá fui ao laboratório Fleury, que fica a três quadras do consultório para fazer o raio-x de tórax. Este exame precisa ser agendado, mas se você chegar mais cedo (como aconteceu comigo), eles podem tentar encaixar. Só de bater o olho no nome do médico a atendente já peguntou se era para imigração e para qual país, e informa que um convênio com o consulado canadense, o exame tem um desconto e custa aproximadamente R$ 190,00. Levei duas horas entre pegar o pedido do exame de sangue  no consultório e sair do raio-x direto para minha casa.

No geral o atendimento foi satisfatório, exceto por um porém: as atendentes do consultório não tem assim aqueeeeela boa vontade. Na verdade a culpa nem é delas, mas elas acabam confundindo a gente. Por exemplo, no meu caso, eu precisava fazer um exame upfront, ou seja, sem aquela solicitação que vem pra quem passou pelo processo provincial do Quebec. Daí ela me deu uma folha e me mandou colocar para que tipo de visto era. Eu anotei que era para residência permanência – e não é? Daí ela disse que aquele tipo de visto não existia. Como? Que só existia o de estudante, o de família, o de trabalho e um outro lá que agora eu não me lembro. Depois de pensar um pouco (é, eu tive que pensar), entendi que deveria pedir um exame para visto de trabalho, afinal o nome do meu programa é Federal Skilled Worker, né? E ainda tive que ouvir  se eu tinha certeza daquilo. Provavelmente alguém já informou isso errado e depois quis pedir para refazer sem custo. Acontece que quando tentei mostrar o myCic pra ela confirmar, ouvi ela disse que não ia olhar e que eu tinha que saber qual era – de uma forma mais educada, obviamente, mas se eximindo de qualquer tipo de responsabilidade.

Isso acabou sendo um problema quando o copain foi fazer o exame dele, na quarta-feira seguinte. Como ele não vai pro Canadá ficamos sem ter certeza se ele tinha que fazer o exame de família ou o de trabalho – afinal, ele não vai trabalhar, só está fazendo o maldito porque é meu conjoint. Por alguma ideia estúpida, resolvemos que ela ia confirmar no consultório e aí a secretária falava que ele tinha que ter um IME, que não pode fazer o exame de família sem um IME, e criou uma confusão quando então ele sugeriu para fazer o exame como sendo de trabalho. Ele não conseguia falar comigo no celular, então decidiu ir embora e marcar para outro dia, que acabou sendo hoje. Nem preciso dizer que isso gerou um stress desnecessário. Outra coisa: não informaram para ele que seria necessário agendar o exame de raio-x, e, por sorte, hoje de manhã, lembrei que ele não tinha comentado nada sobre o horário do raio-x. Decidi ligar pro Fleury e fazer o agendamento por conta própria – na pior das hipóteses eles teria dois horários agendados. Eu fui buscá-lo na saída do exame e, no wonder, ele veio me dizer já meio bravo que a secretária falou que ele tinha que ter agendado um exame e que, como não tinha feito isso, era pra ele ir num laboratório do outro lado da cidade que lá eles também eram credenciados e não precisava de agendamento. Eu expliquei que tinha lembrado disso esta manhã e que tinha ligado no Fleury ali daquele bairro, que só tinha horário no final da tarde, mas que eu achava que a gente podia dar um pulinho lá pra ver se não dava pra encaixar.

O laboratório estava lotado, o que achei que seria mal sinal, e de certa forma foi. Levamos quase meia hora para passar pela triagem, mas não apenas conseguimos adiantar o exame como saímos de lá menos de 15 minutos depois. Quando retornei ao trabalho, o copain já tinha terminado todos os exames e chegado em casa. Os custos foram idênticos aos meus.

A única coisa diferente aconteceu por conta do histórico médico dele. Há dois anos o copain toma remédio pra pressão alta (dizem que é comum depois dos 40) e acredito que a medição da pressão tenha dado alterada, pois o médico pediu um exame extra pra ele. Imagino que isso não será um problema, pois o copain contou que o médico até já explicou o que ele tem que fazer para comprar o medicamento lá no Canadá, mas nem preciso dizer que meu coração começou a bater ainda mais apertado, precisa? Enquanto isso, continuamos atrás do atestado de antecedentes criminais do Reino Unido. Antes dele chegar, será impossível completar a aplicação.