Exames. Checked?

Já tem cerca de uma semana que estou enrolando para escrever este post, mas existem motivos concretos para isso. Queria falar da experiência como um todo, incluindo o exame médico do copain, que, por uma série de desinformações, só conseguiu concluir esta etapa hoje. E como não sou quase nada ansiosa, arranjei mais alguns motivos para aumentar a minha insônia.

Nossos exames foram realizados em dias diferentes, pura e simplesmente porque não sabíamos que o copain também teria que passar pelo exame médico. Eu só descobri isso ao terminar de preencher o formulário do pedido de visto (aquele mesmo em que eu tive que listas todas as nossas saídas do país, uma a uma, nos últimos dez anos e que levei uns dois ou três dias pra terminar porque não sabia se poderia corrigir os dados depois). Inicialmente achei que tinha preenchido algo errado e que, por isso, estavam pedindo os documentos dele, mas depois descobri isso aqui:

“If you apply for permanent residence, you must have an immigration medical exam. Your family members must also have a medical exam, even if they are not coming with you.”

O meu exame foi feito numa clínica de Higienópolis, bairro na zona oeste de São Paulo. Foi minha primeira opção por se tratar do consultório mais próximo da minha casa e depois descobri que é também o consultório com maior disponibilidade de datas atualmente. Mandei um e-mail para eles na quarta-feira, ao qual me responderam que poderiam marcar minha consulta para a segunda-feira seguinte. Perguntei se não poderiam me encaixar na sexta-feira, pois estava com medo que meu ciclo interferisse no exame de urina e fui prontamente atendida. Neste dia, cheguei mais cedo e peguei o pedido do exame de sangue para fazer no laboratório Lavoisier (coberto pelo plano de saúde), o exame de urina foi feito na clínica. O pedido de exame precisa estar no nome do médico autorizado pelo consulado, por isso não adianta pedir para o seu médico de longa data adiantar esse serviço para você. Tentar cortar caminho aqui só vai dar mais despesa, pois vc terá que fazer os mesmos exames duas vezes e o convênio não vai querer arcar com a segunda.

A consulta incluindo o exame de urina custou R$ 400,00 e levou cerca de meia hora dentro do consultório. Passei por ausculta de pulmão e batimento cardíaco, pesagem, medição de altura e pressão, mais o exame de vista (os ceguetas rebeldes como eu devem levar os óculos) e por um questionário interminável em que minhas resposta sempre eram não. Saindo de lá fui ao laboratório Fleury, que fica a três quadras do consultório para fazer o raio-x de tórax. Este exame precisa ser agendado, mas se você chegar mais cedo (como aconteceu comigo), eles podem tentar encaixar. Só de bater o olho no nome do médico a atendente já peguntou se era para imigração e para qual país, e informa que um convênio com o consulado canadense, o exame tem um desconto e custa aproximadamente R$ 190,00. Levei duas horas entre pegar o pedido do exame de sangue  no consultório e sair do raio-x direto para minha casa.

No geral o atendimento foi satisfatório, exceto por um porém: as atendentes do consultório não tem assim aqueeeeela boa vontade. Na verdade a culpa nem é delas, mas elas acabam confundindo a gente. Por exemplo, no meu caso, eu precisava fazer um exame upfront, ou seja, sem aquela solicitação que vem pra quem passou pelo processo provincial do Quebec. Daí ela me deu uma folha e me mandou colocar para que tipo de visto era. Eu anotei que era para residência permanência – e não é? Daí ela disse que aquele tipo de visto não existia. Como? Que só existia o de estudante, o de família, o de trabalho e um outro lá que agora eu não me lembro. Depois de pensar um pouco (é, eu tive que pensar), entendi que deveria pedir um exame para visto de trabalho, afinal o nome do meu programa é Federal Skilled Worker, né? E ainda tive que ouvir  se eu tinha certeza daquilo. Provavelmente alguém já informou isso errado e depois quis pedir para refazer sem custo. Acontece que quando tentei mostrar o myCic pra ela confirmar, ouvi ela disse que não ia olhar e que eu tinha que saber qual era – de uma forma mais educada, obviamente, mas se eximindo de qualquer tipo de responsabilidade.

Isso acabou sendo um problema quando o copain foi fazer o exame dele, na quarta-feira seguinte. Como ele não vai pro Canadá ficamos sem ter certeza se ele tinha que fazer o exame de família ou o de trabalho – afinal, ele não vai trabalhar, só está fazendo o maldito porque é meu conjoint. Por alguma ideia estúpida, resolvemos que ela ia confirmar no consultório e aí a secretária falava que ele tinha que ter um IME, que não pode fazer o exame de família sem um IME, e criou uma confusão quando então ele sugeriu para fazer o exame como sendo de trabalho. Ele não conseguia falar comigo no celular, então decidiu ir embora e marcar para outro dia, que acabou sendo hoje. Nem preciso dizer que isso gerou um stress desnecessário. Outra coisa: não informaram para ele que seria necessário agendar o exame de raio-x, e, por sorte, hoje de manhã, lembrei que ele não tinha comentado nada sobre o horário do raio-x. Decidi ligar pro Fleury e fazer o agendamento por conta própria – na pior das hipóteses eles teria dois horários agendados. Eu fui buscá-lo na saída do exame e, no wonder, ele veio me dizer já meio bravo que a secretária falou que ele tinha que ter agendado um exame e que, como não tinha feito isso, era pra ele ir num laboratório do outro lado da cidade que lá eles também eram credenciados e não precisava de agendamento. Eu expliquei que tinha lembrado disso esta manhã e que tinha ligado no Fleury ali daquele bairro, que só tinha horário no final da tarde, mas que eu achava que a gente podia dar um pulinho lá pra ver se não dava pra encaixar.

O laboratório estava lotado, o que achei que seria mal sinal, e de certa forma foi. Levamos quase meia hora para passar pela triagem, mas não apenas conseguimos adiantar o exame como saímos de lá menos de 15 minutos depois. Quando retornei ao trabalho, o copain já tinha terminado todos os exames e chegado em casa. Os custos foram idênticos aos meus.

A única coisa diferente aconteceu por conta do histórico médico dele. Há dois anos o copain toma remédio pra pressão alta (dizem que é comum depois dos 40) e acredito que a medição da pressão tenha dado alterada, pois o médico pediu um exame extra pra ele. Imagino que isso não será um problema, pois o copain contou que o médico até já explicou o que ele tem que fazer para comprar o medicamento lá no Canadá, mas nem preciso dizer que meu coração começou a bater ainda mais apertado, precisa? Enquanto isso, continuamos atrás do atestado de antecedentes criminais do Reino Unido. Antes dele chegar, será impossível completar a aplicação.

 

First Steps

Cinco dias atrás, quando recebi o ITA, imaginei que estaria agora escrevendo uma série de posts clichés e repetindo as informações que todo mundo já cansou de escrutinar nos blogs de imigrantes. A verdade é que eu acho muita coisa errada e que o processo canadense nunca cansa de me surpreender.

A primeira mudança do ano foi no prazo para a submissão dos documentos. A partir de 2017, nós temos 90 dias para correr atrás da papelada e, ainda que que a gente se prepare com antecedência, sempre tem coisa faltando e deixando a gente de cabelo em pé. Tudo é enviado digitalmente – quem já tirou visto de turista sabe como é -, o que, em teoria, facilita as coisas, mas só é possível subir um arquivo por tipo de comprovante. Assim, toca a escanear dez documentos diferentes de uma única vez, tomando cuidado para não ultrapassar o tamanho limite.

Só que antes de mandar qualquer coisa (e assim confirmar sua aplicação), você tem que preencher um formulário gigantesco, e a impressão que temos é que, se pusermos alguma informação errada ou não completarmos todos os campos, nossas chances vão todas pro beleléu. Bom, pra falar a verdade eu não sei o que acontece com quem não preenche tudo, mas trocar informações é perfeitamente possível no estágio seguinte (eu troquei várias). Assim, não tem que pirar porque trocou um número do seu certificado do IELTS ou porque pura e simplesmente não conseguiu se lembrar ainda de todas as viagens feitas ao exterior nos últimos dez anos. Coloque o maior número de informações concretas que puder e depois vá revisando. A questão é que, enquanto a gente não termina de preencher este formulário a gente não tem acesso aos documentos necessários e é aí que o bicho pega de verdade.

Vocês devem estar lembrados de que eu estou aplicando sozinha, correto? O que eu não sei se todo mundo entendeu é que eu continuei declarando minha união estável. Acontece que, para a minha surpresa, mesmo viajando desacompanhada, eu continuo precisando comprovar tudo para uma família de dois. Não sei vocês, mas eu achei bizarro quando percebi que o copain precisaria fazer os exames médicos da mesma forma que eu. A quantia de dinheiro a comprovar também é para duas pessoas (atualmente em torno de C$ 15,300) e além disso, tem os papéis que comprovam a união estável, entre eles essa declaração aqui. Na verdade, as duas únicas diferenças da minha aplicação para a de um casal, é que o score é calculado sobre uma única pessoa e ao final só temos direito a um único visto, o do aplicante principal.

Obviamente, depois de ter acesso aos documentos necessários, achei que tinha feito alguma coisa errada, mas depois descobri no site do CIC que esse é o procedimento padrão mesmo e ele é necessário para que, no futuro, seja possível pedir o reagrupamento familiar do cônjuge. Detalhe: se o cônjuge for reprovado no exame médico, ou apresentar antecedentes criminais, você pode ter o seu visto negado mesmo que a sua parte esteja toda certinha. Pra falar a verdade, achei isso muito bacana, pois, sob o meu ponto de vista, já deixa engatilhada a possibilidade de voltarmos a morar juntos no futuro, em condições legais. Ah, o CIC também pede para explicar por que diabos o seu companheiro/a não está te acompanhando nessa aventura. É esse o ponto que dá mais medo: e se eles acharem que nossa justificativa não é válida? E se acharem que a gente só fez desse jeito porque não tínhamos pontos suficientes para receber o ITA se aplicássemos como casal (o que não deixa de ter um pouco de verdade)? E se acharem que estamos tentando enganar a imigração? É, já deu pra perceber que estou surtando.

Basicamente são estes os documentos de que a gente precisa providenciar.

Para o casal:

  • Cópia da folha de identificação e das demais as folhas utilizadas do seu passaporte vigente (todas as que tiverem algum tipo de carimbo);
  • Exame médico que deve ser feito up-front, ou seja, antes de receber a solicitação de exames, apenas nos consultórios e laboratórios credenciados junto ao consulado. Pois é, nem adianta aparecer na sala do médico com uma bateria de exames já feita, mas eu devo fazer um post a respeito na semana que vem, então não vou me alongar;
  • Atestado de antecedentes criminais de todos os países onde você ou seu cônjuge já moraram por mais de seis meses, mesmo que em períodos alternado. Aqui acendeu uma luzinha vermelha: como providenciar o atestado criminal do Reino Unido para o copain? Ao que parece, é mais fácil do que imaginamos;
  • Fotos tipo passaporte digitalizadas, com medida mínima de 3,5 x 4,5cm.

Apenas para o aplicante principal:

  • Copia dos diplomas. Curiosamente, eles não citam o ECA aqui, mas eu acabei juntando o documento do WES ao arquivo com meus diplomas traduzidos;
  • Comprovantes de trabalho. Eu achei que ia poder me dar ao luxo de mencionar apenas o meu último emprego, afinal, já estou lá há quase seis anos, mas na etapa do formulário temos que apontar nossas ocupações nos últimos dez anos. Pra piorar, um dos meus empregadores anteriores já não existe mais e, como era um trabalho vinculado ao governo da Espanha, todos os documentos que tenho para comprovar o emprego estão em, tadá!, espanhol. Alguém sabe se dá pra fazer tradução juramentada espanhol-inglês aqui no Brasil? Já tentei conseguir uma nova carta em português no consulado aqui de São Paulo, mas uma pessoa me joga pra outra e, no fim ninguém quer assinar nada.
  • Comprovantes de renda para subsistência no Canadá. Essa está sendo  a parte mais confusa na minha minha opinião, pois em nenhum lugar está escrito explicitamente se devo comprovar a quantia de 1 ou 2 pessoas. Se precisasse comprovar apenas uma seria mais fácil, pois as contas que temos em apenas um banco já dariam conta do recado com uma certa tranquilidade em relação às flutuações cambiais. No entanto, decidir fazer o teste da elegibilidade (aquele que a gente faz antes de abrir o perfil do express entry) outra vez alterando apenas este item e, como vocês podem imaginar, se demonstrarmos menos de C$ 15,400, eu me torno inelegível;
  • Declaração de união estável, que já está me fazendo pensar na peregrinação por São Paulo para fazer um cartório assinar um documento em inglês. É importante frisar que nessa mesma declaração, o Canadá sugere quatro diferentes tipos de provas da união estável (o que me deu a impressão de serem mas mais fortes): (a) contrato de aluguel, hipoteca ou compra de imóvel em nome de ambos; (b) outra propriedade adquirida conjuntamente fora a residência; (c) conta bancária, empréstimo ou cartões de crédito conjuntos ; (d) imposto de renda canadense onde conste o parceiro como dependente. Outro ponto favorável para tal comprovação é que um dos cônjuges tenha um seguro de vida que tenha o outro como beneficiário. Por último, se vc não tiver nenhum desses comprovantes, eles deixam um espaço pra gente listar outros documentos que comprovem a união (faturas, plano de saúde, etc).

Finalmente, há ainda um campo onde você pode mandar uma carta de explicação, que, no nosso caso, vai ser utilizada pra explicar o porquê  de estar indo desacompanhada; a falta da carta do empregador referente ao escritório espanhol; e, ainda, o resultado do meu TEF  já que não há como inserir os dados de dois certificados ao mesmo tempo (se vcs repararem, eles não pedem cópia dos testes de língua).

Até agora, já consegui finalizar o meu exame médico, os diplomas e a copia dos passaportes. Segunda-feira é dia de providenciar os comprovantes financeiros e solicitar as traduções destes documentos, dos comprovantes de residência mais recentes e dos certificados da polícia. Estou trabalhando com a data de 15 de abril para envio dos documentos, o que levaria à provável conclusão do processo em outubro ou novembro deste ano. Desejem-nos sorte, porque empenho é o que não nos falta! 🙂

 

Noites Brancas

Eu não sei exatamente o que me acordou. Fui dormir por volta das 22h30 e exatamente à meia-noite despertei. Lá fora havia gritos de Vai Curíntias (no bairro do Palmeiras?), dentro de casa o meu estômago reclamava de algo que comi (ou seria pura ansiedade?). Tudo isso embalado por uma onda de calor forte, intenso, que me fazia revirar na cama e deixar a janela escancarada.

O dia tinha sido um daqueles dias ruins, em que a gente faz um bocado de besteira (nada muito sério) e que não vê a hora de acabar. Um detalhe exatamente tinha estragado meu ânimo logo cedo: sem ter muito o que fazer na manhã da quarta de cinzas e de pé desde às 5h30, inventei de fazer testes, de rever meu perfil do Express Entry, mais especificamente em relação ao NOC da minha profissão. E, com isso, consegui tornar o meu perfil inadmissível. Quê? Como? Isso mesmo, inadmissível.

Não sei quantos de vocês tiveram problemas na hora de escolher o NOC. Acontece que, no meu caso, parece ser muito difícil enquadrar as minhas atividades numa única ocupação de profissão canadense. Quem já trabalhou no serviço público sabe o quão desorganizada a coisa é: todo mundo ocupa a mesma função, mas ninguém faz exatamente o mesmo trabalho. Lá em agosto, quando preenchi o perfil, depois de procurar as descrições de profissionais de administração, de recursos humanos, de comunicação e do raio que o parta, decidi me cadastrar como Administrative Assistant que era o “título” que soava mais parecido com o da função que ocupo. Acontece que, depois de fazer algumas buscas no job bank e outros sites de emprego, me dei conta que essa era a nomenclatura aplicada às secretárias. E eu sou tudo no meu trabalho, exceto uma secretária.

Não entendam isso como desprezo à profissão. Eu já fui secretária em outras oportunidades e é exatamente por isso que não quero voltar a ser nunca mais. Eu não tenho o senso de organização necessário para cuidar da vida de outra pessoa, eu não sou aquela pessoa feliz que recebe bem as pessoas, eu tenho memória de peixe e nunca anoto nada. Detalhe: essas eram algumas das atividades que descreviam o NOV no Assistente Administrativo.

Saí então procurando outras alternativas e gostei particularmente do Administrative Officer, mas aquele negócio de supervisionar pessoas… Eu até faço isso informalmente, mas não faz parte das minha atribuições. Mas o que eu queria mesmo era algo em recursos humanos, mas todos eles traziam as descrições do pessoal que trabalha com recrutamente, admissão, etc. E então, finalmente, achei um NOC que parecia casar com o que eu fazia – com ressalvas, logicamente -, um tal de Personnel Clerk e lá fui eu rapidinho atualizar meu perfil do EE. Agora dou um doce pra quem descobrir a pegadinha…

Ocorre que o tal do Personnel Clerk é uma função de nível médio que pertence, tchanananam, ao NOC C! E quem já tá nesse mundo de imigração faz tempo sabe muito bem que NOC C não é elegível para o Federal Skilled Worker Program. Assim, no momento em que eu jurei solenemente que informava a verdade, nada mais que a verdade, e confirmei que tinha desempenhada 5 anos de trabalho como Personnel Clerk, meu perfil automaticamente se fechou e eu não consegui fazer mais nenhuma alteração. E isso quando, minha gente? Na manhã do dia 1º de março! Pois é, antes de nascer eu devo ter passado na fila do “com emoção” muitas vezes.

Tentei de todas as maneiras reabrir o meu cadastro e depois de uma meia hora tentando, desisti e decidi fazer um novo perfil. Ah, também tive que criar outra conta no job bank, enfim, foi um trabalho do cão e eu me amaldiçoei inúmeras vezes durante o processo de repreencher tudo. Terminei por volta de 8h30 da manhã e me decidi por Administrative Officer, já que era uma profissão que poderia exigir o nível superior, com a minha de fato exige. A pontuação entrou imediatamente, mas aquele negócio do perfil onde aparece Aplication/Profile Status tinha uma mensagem como “under verification” que se repetia no ITA Status. Julguei que era algo semelhante ao que tinha acontecido durante o Carnaval, quando a nova nota do perfil atualizado ainda não tinha entrado, e abri o MyCic mais algumas vezes durante o dia, só para saber se a tal da verificação já tinha terminado e meu perfil estava operacional.

E o dia transcorreu normal, com algumas chatices extras por conta do trabalho. Voltei pra casa, assisti tevê sem prestar atenção em nada porque pesquisava compulsivamente o preço de moradia temporária em Ottawa e enfim decidi dormir, quando voltamos à cena descrita no primeiro parágrafo. E como o assunto EE não sai mais da minha cabeça, resolvi checar se o fato de passar um minuto da meia-noite influenciaria o tal do Profile Status, pra ler, com todas as letras, Invitation Received. Como podem deduzir, passei outra noite em claro! 🙂

 

 

 

Reviravoltas

Se meu sono já andava atrapalhado, desde quinta-feira ele simplesmente não dá as caras. Ou dá, nas horas menos convenientes (como quando você se propôs a ajudar sua irmã a cuidar do seu sobrinho que não pára de chorar às 3 horas da madrugada). E isso tudo por conta do nosso plano C – o qual nunca foi abordado aqui.

Sei de muita gente que fica incomodada quando lê pelos blogs de aspirantes a imigrantes gente indecisa, que não sabe pra onde vai. Que uma hora quer ir pra lá, outra hora quer vir pra cá… Acontece que tem hora que o desespero vem tão forte que você começa mesmo a atirar para todo lado e a descobrir informações de que nunca tinha ouvido falar.

No final do ano passado, quando depois de me matar de estudar e gastar o que não tinha eu continuei com uma nota apenas mediana no TEF, eu desanimei do processo canadense de uma maneira como nunca tinha desanimado antes. Tentando colocar a minha bola pra cima, o copain ressucitou a história dos processos de imigração como autônomo e eu remarquei o meu IELTS meio que de forma automática, porque o exame que prestei em 2015 ia deixar de valer agora em março. Acontece que no intervalo entre a minha inscrição e a aplicação da prova nós descobrimos um processo de visto para empreender em Portugal, que, apesar de não dar a residência permanente, autorizaria o copain a fazer exatamente a mesma coisa que ele faz aqui lá na terrinha – com o plus de poder me levar e com visto sendo emitido em pouco mais de 2 meses após a apresentação dos documentos. Assim, só para relembrá-los, o plano A era Québec; o plano B era o Express Entry (com seus vários possíveis destinos); e agora tínhamos um plano C, que seria colocado em prática a partir de abril, caso não conseguíssemos nos inscrever por Québec (de novo).

Lá nos primórdios de 2008, eu morei durante seis meses em Portugal como bolsista do programa de mobilidade do Banco Santander. Sei assim que a terra do pastel de nata tem mil coisas maravilhosas e outras tantas um bocado desagradáveis, mas o baixo custo de vida, a suposta facilidade do processo de visto de trabalho e a porta aberta para nos aventurarmos pela Europa a preços módicos foram se enraizando na minha cabeça e tornando a ideia bastante atrativa. Pior, estes e outros quesitos que favorecem a imigração para Portugal começaram a dar frutos na cabeça do copain. Aos poucos fui percebendo que o tal plano C estava se transformando em plano A e a cada vez que tocávamos no assunto, a listinha dos prós ganhava pontos em relação a dos contras. E então veio a prova do IELTS, e eu mergulhei nisso, como se precisasse de uma boia salva-vidas: era agora ou nunca! Se o resultado fosse ruim, eu abandonaria de vez a ideia do Canadá; se eu fosse bem… E se eu fosse bem? Essa pergunta martelou na minha cabeça inúmeras vezes e, se no começo o copain respondia imediatamente que iríamos para o Canadá, nas últimas semanas, eles começou a se tornar reticente. Como andei me decepcionando um bocado nos testes de francês e não tinha conseguido nenhuma marca excepcional no teste de 2015, não achei realmente que o CLB 9 seria possível.

Na quinta, o meu sonho com contornos de pesadelo começou. A gente estava tão perto de conseguir. E tínhamos perseguido aquela ideia durante tanto tempo: há mais de dois anos abracei este projeto de vida e eu simplesmente não estou pronta para abdicar dele. Então, o que fazer quando cada um quer uma coisa diferente? E quando essas ideias ainda dependem de um monte de SEs?

Calma, gente, ninguém aqui vai se separar. Até porque até agora tudo o que temos de ambos os lados são expectativas. Primeiro essas expectativas têm que se tornar realidade, mas elas já definiram uma mudança gigantesca no MEU projeto de imigração. É, desde ontem, estou aplicando sozinha – assim como o copain também aplicará por conta própria para Portugal no segundo semestre. A ideia é que cada um experimente a vida lá fora no seu país de preferência por seis meses. Eu já sei o que é morar em Portugal; ele ficou muito mais tempo no Canadá do que eu, com uma rotina muito próxima da que teríamos se mudássemos para lá. Agora é a vez de invertermos os papéis e ao final desse período, decidirmos onde queremos ficar.

O processo individual representa uma economia momentânea, já que não precisaremos correr atrás de comprovantes de união estável, os fundos a serem comprovados são menores e, acima de tudo, as minhas chances de ser convocada no próximo round aumentam, dispensando a necessidade de uma indicação provincial (e de ter que pagar por ela).  Depois, após tomarmos uma decisão definitiva, entraremos com processo de reagrupamento familiar num país ou noutro.

Com as mudanças no perfil do Express Entry eu alcancei 456 pontos, que, apesar dos updates realizados na tarde de ontem, ainda não aparecem atualizados no MyCIC*. Fico repetindo pra mim que isso é normal – o site informa que a atualização dos pontos pode levar até 24 horas -, mas a ansiedade está a mil. Dentro de uma semana deve sair uma nova nota de corte e aí sim eu devo entrar em parafuso de vez. Na melhor das hipóteses, embarco em janeiro para Ottawa – em pleno inverno canadense. Na pior, sigo mais uma vez para Portugal. Navegar não é nada preciso.

*Perfil atualizado:

calculator

A barreira dos 400

O verão me pegou de jeito e meu ponto fraco, o sono, anda completamente desorientado. Alterno sono profundo e noites em claro. Ontem não seria diferente. Após uma quarta-feira catastrófica (e, acreditem, não estou sendo exagerada), a quinta chegou leve, trazendo um riso teimoso que eu não fazia a menor ideia de onde vinha. Lá do outro lado do Pacífico, mais precisamente na Austrália, o dia 24 já tinha começado.

Mas que raios a Austrália tem a ver com Canadá? Que diferença faz ser dia 23, 34 ou 30? Acontece que descobri recentemente que os responsáveis oficiais pelas provas do IELTS aplicadas pela Cultura Inglesa de São Paulo são aos australianos. E eles têm uma política específica de soltar as notas sempre 13 dias depois da prova às 5PM no fuso de lá. Isso significa que o resultado da prova prestada no último dia 11 sairia no dia 24 brasileiro, porém às 3AM. Sendo assim, adivinhem quem foi dormir tarde e não pregou mais o olho depois desse horário?

Não posso dizer que não estava ansiosa. Passei o dia checando o link dos resultados, alguma coisa me dizia que, apesar da pressa para finalizar a redação, eu poderia garantir um 7. Eu tinha esperança e ficava me vigiando para não depositar toda a minha fé nessa hipótese remota e depois desmoronar como das outras vezes. Não havia como obter o CLB 9… Não havia mesmo?

Parando com a enrolação, seguem as notas, das quais estou profundamente orgulhosa:

Speaking: 7.0
Reading: 8.5
Listening: 8.5
Writing: 7.5

Overall: 8.0

Pois é, a redação que escrevi em completo desespero foi avaliada em 7.5, o que não é apenas uma ótima nota, mas um CLB 10. Mais uma vez, o universo me mostra que eu não faço a menor ideia de como esses exames de proficiência avaliam a gente! 🙂 Imagino que o tempo que perdi nos dois primeiros parágrafos da task 2 devem ter valido a pena, pois estou consciente de que os dois últimos traziam uma série de repetições e estruturas pobres. Além disso, alguém pode estranhar o fato de eu ter dito no post anterior que tinha me saído bem na prova de Speaking e esta ter sido justamente a minha menor nota. A verdade é que eu achava que tinha ido melhor, mas, falando sério, que p*rra de diferença faz? Eu consegui meu CLB 9 e, com ele, ultrapassamos a barreira dos 400 pontos.

Aí começa um segundo dilema: quando atualizar o Express Entry? Como assim, quando? Tá doida, menina? Bem, por mais que eu esteja numa ânsia louca de ver nosso perfil atualizado, esse ainda não é o momento. Coloquei na cabeça que vou esperar mais dez dias e vocês não devem estar entendendo nada, não é mesmo? Acontece que Ontario reabriu o programa de indicação provincial para candidatos com mais de 400 pontos. Obviamente, isso não quer dizer que nosso perfil é interessante para eles, mas, pode ser que seja, e isso significa que poderíamos receber um convite da província nas próximas duas semanas e teríamos um prazo para aceitar, pagar e enviar os documentos requeridos para uma nominação provincial. É este suposto prazo que estou tentando ampliar ao não atualizar o Express Entry imediatamente. E por quê?

Acontece que o Express Entry tem baixado a nota de corte numa média de 6 pontos a cada rodada desde que o ano começou. Se essa tendência persistir por mais um mês, seríamos chamados na segunda rodada de março, já que completamos 432 pontos. Dar entrada diretamente pelo federal tem três vantagens supremas: o processo de obtenção do visto é infinitamente mais rápido; não teríamos obrigações com nenhuma província específica e, acima de tudo, não teríamos que arcar com os custos da etapa provincial. O problema é que nada garante que essa nota de corte não voltará a subir a partir do próximo mês, assim, o OINP seria um plano B excelente. Ok, eu sei que estou contando com o ovo antes da galinha botar, mas estou tentando trabalhar com os dois melhores cenários possíveis, afinal, pior do que está não tem como ficar. Se não atingirmos a nota de corte e nem formos convidados pela província, simplesmente não há mais nada a fazer.

Bom, as boas novas já estão compartilhadas. Espero estar de volta ao blog muito em breve! 🙂

 

Miscalculation (ou como foi a famigerada prova do IELTS)

Alerta: post gigante à vista

A vida é engraçada…

Alguns dias atrás deixei um posto eufórico sobre como poderíamos chegar à tão sonhada nota de corte do Express Entry. A bem da verdade, acreditei nessa informação até a tarde de ontem, quando, saindo da Cultura Inglesa, resolvi refazer a contagem. Imagino que outros candidatos a imigrantes sejam tão ansiosos quanto eu, assim, é fácil entender que eu faça e refaça os cálculos milhões de vezes, com variantes diversas. Em geral eu SEMPRE coloco a situação de união estável, mas por alguma bobagem dia 08 eu decidi fazer a contagem como solteira. Foi esta a contagem que me daria (e tem que ser no singular) a condição de receber o ITA caso tivesse obtido o CLB 9 no IELTS: eu precisaria embarcar nesta aventura sozinha, o que está fora de cogitação. Juntos, alcançaremos cerca de 430 e não os 447 da última rodada.

Por mais bizarro que isso possa parecer, acabei achando bom. Mas isso tem relação com meu desempenho no IELTS. Eu estava absolutamente segura de que teria um bom resultado no writing. Nas últimas semanas escrevi muito, tive redações corrigidas e erros apontados. Não tive um texto sequer avaliado abaixo de 7.0. Até mesmo a minha nota de dois anos atrás, quando eu nem tinha me preparado para o writing tinha sido 6.5. Não podia dar errado. Mas deu.

Ao contrário do que possam imaginar, eu não estou sendo pessimista. Se teve uma coisa que aprendi no último mês foi a auto avaliar meu desempenho mediante às exigências do IELTS. Nos meus simulados eu obedecia a esses critérios, eu demonstrava domínio da língua, usava uma extensa lista de fancy words, alternava sinônimos, recorria a efeitos gramaticais como a inversão, seguia a estrutura necessária. Entretanto, a proposta da Task 2 quebrou um pouco a minha sequencia lógica, pois, em lugar de pedir para comentar as vantagens e desvantagens de um tema qualquer, pediu que eu dissertasse sobre as causas de uma provável realidade e desse minha opinião sobre o que de fato ela relevante para sua aquisição. Em linhas específicas, eu deveria dizer porque às vezes quem se destaca na escola não alcança sucesso na vida adulta e o que é imprescindível para ser bem sucedido. Tell me about it : it’s the story of my life.

Logo no início perdi dez minutos de bobeira sem me dar conta exatamente com que. só me lembro de olhar para o countdown e verificar que tinha apenas 50 minutos para as duas redações. Fiz um rápido rascunho do que gostaria de discutir, montei a estrutura de como isso seria feito e comecei a escrever. Reescrevi o primeiro parágrafo 3 vezes e ainda assim não fiquei feliz com ele, mas, gramaticalmente, ele parecia coerente o segundo tomou tanto ou mais tempo que o primeiro sem que eu conseguisse sequer dar um exemplo (fala da sua vida, porra!). Eu, que tinha começado enumerando os motivos (firstly, secondly) entrei em pânico quando ouvi dizerem que faltavam apenas 20 minutos para terminar a prova. É, suddenly I realized I had spent 40 minutes in two paragraphes and there were at least two more to go, besides another whole composition. Larguei a redação no meio e fui para a carta, que escrevi em cerca de 13 minutos sem olhar para trás. Quero acreditar que não cometi nenhuma falta grave, mas sei que ela ficou longe do que sou capaz de fazer normalmente. Voltei a redação anterior e desenvolvi um terceiro parágrafo completamente sem noção que não respondia à pergunta do que eu considerava importante para atingir o sucesso. Mal escrito, com alta repetição de palavras, pura enchição de linguiça e finalmente comecei meu parágrafo de conclusão, porque li ou vi em algum lugar que é obrigatório que esse último parágrafo se anuncie por “in conclusion”, “to conclude”, “to sum up” e apresente a sua opinião. Sinceramente? Não consigo lembrar do que escrevi ali, mas tenho certeza de que não expressei opinião alguma, além de estar fortemente reticente quanto a minha gramática e spelling. As inversões, que eu estava dominando bravamente? Não lembrei delas até sair da sala. Álias, lembrei de tanta coisa que poderia ter dito ou usado ao terminar a prova que foi difícil evitar a frustração. Tenho consciência de que os dois primeiros parágrafos estão bem escritos e espero que eles sejam suficientes para me garantir um 6.5 na Task 2. Isso, casado com um 7 na Task 1 poderia, quem sabe, me levar ao tão sonhado 7 em Writing.

It doesn’t really matter after all. O Express Entry sempre foi o back-up plan e abril está cada vez mais próximo. Ao contrário da vez passada, saí muito contente da minha prova de speaking. Basicamente todos os tópicos tratados na sessão 1 tinham sido exaustivamente treinados durante as aulas particulares com o Thiago. A famosa pergunta “Do you study or do you work?” abriu a minha entrevista, seguida pela pergunta se eu preferia ter muitos amigos ou apenas poucos muito próximos e a terceira… Ah, o terceiro tópico foi sobre televisão: o que eu gostava de assistir, se preferia ver tevê sozinha ou acompanhada. Como podem ver, nada de extraordinário. Basicamente, tópicos que estão por toda a internet e que vc pode treinar sozinho ou com um amigo.

Eu acho que me beneficiei muito das aulas com o Thiago porque ele dava sugestões de como responder cada coisa. Por exemplo, na resposta do trabalho, antes da preparação (e como vc pode ver em vários vídeos nota 6) eu teria simplesmente dito “I work” ou “I’m working” e esperado a próxima pergunta. Ele me aconselhou a usar present perfect, colocar o tempo, fazer concessões, etc. Assim, a minha resosta ficou mais ou menos assim : “Currently, I’ve been working in the Human Resources field for 5 to 6 years, even though I’m not extremely fond of it. I’d rather work as a translator since it’s more related to my academic background, which is Language Studies”.

Eu sai com uma boa sensação do speaking porque, ao contrário da vez passada, eu não tive nenhum branco. As hesitações eram normais, breves. Acabei sendo interrompida na sessão 2, mas acredito que consegui desenvolver razoavelmente todos os bullet points, mesmo que não tão bem quanto na primeira parte. Meu tema era descrever uma atividade que realizei no campo e que tinha me marcado e eu resolvi contar da última vez em que fui com minha família a um pesqueiro (são muito comuns na região onde eu cresci). Me enrolei um pouco om o vocabulário. Analisando friamente, poderia ter sido melhor. Ela fez uma pergunta ao final que me deixou um pouco desconfiada. Achei que a pergunta era porque ela estava dando uma segunda chance para eu melhorar meu desempenho, mas depois vi num material que o Thiago tinha mandado que os examinadores podem escolher fazer até duas perguntar correlacionadas ao tema da sessão 2. Ela pediu o cartao e minha folha de anotações de volta e então começou a parte 3, e, meu Deus, eu sorria por dentro.

Na véspera da prova, contrariando minhas próprias convicções eu decidi continuar estudando até cair de sono. Quando estava já cansada demais para escrever ou ler textos, comecei a ver o EngVid. Eu vinha assistindo as aulas da Emma e da Liz (que não é do EngVid) desde que comecei a estudar, mas naquela noite eu estava procurando algo leve, uma aula sobre vocabulário, sobre casas, já que tinha tido alguma dificuldade durantes as aulas por skype. Não achei exatamente sobre este tópico mas a Emma deu uma aula sobre as diferenças entre viver no campo e na cidade, justamente o tópico que me foi atribuído na sessão 3. O Thiago também tinha me dado algumas dicas para descrever São Paulo… Cara, foi incrível! Não estou dizendo que fui impecável, mas, simplesmente, eu tinha um leque de vocabulário pronto para  usar. Tudo saía naturalmente. Saí dessa prova imensamente feliz, confiante de que tinha atingido o 7.

Minha prova de Speaking acabou às 11h30 e eu teria que me apresentar para as demais ao meio dia. Assim, comi um lanche que tinha levado comigo e (sim, eu sou doida) fiz um ultimo training de listening usando um vídeo aleatório do youtube. Me mantive na media dos 7 a 4 erros por prova. Pouco depois um colega da Cultura Inglesa chegou e ficamos conversando. Ele também tinha tido uma boa impressão sobre o teste oral dele. Ao meio-dia subimos para deixar nossas coisas no armário e consultar a sala de prova. Aliás, era uma sala gigante, que mesclava candidatos do Academic e do General Training. O listening foi bastante tranquilo na minha opinião e para a minha sorte, não tinha aqueles exercícios de spelling ou de números e datas, nos quais sempre me atrapalho. Tinha um daqueles exercícios de gráfico e direções (eu não sou boa em direções nem em português), onde eu acho que posso ter perdido uns dois pontos. Os dois últimos textos foram tranquilos e eu não me perdi nenhuma vez, o que significa que, se houve algum erro, foi por má interpretação da minha parte.

O Reading foi bastante simples e, como sempre, terminei com folga, o que me deu a chance de ir ao banheiro antes de começar o Writing. Tive inclusive tempo de reler algumas questões e mudar a resposta (espero que não tenha feito besteira). O maior texto era também o que tinha mais perguntas relacionadas e falava sobre a água engarrafada ( o nome VOSS sugere alguma coisa pra vocês). Existia um exercício parecido com o de headings, mas que permitia que cada parágrafo fosse usado mais de  uma vez. Sei lá, não achei dos piores.

O resultado sai dia 24 de fevereiro, logo antes do Carnaval. Ontem, antes de descobrir que eu estava iludida sobre alcançar a nota de corte, eu tinha pensado em alterar os dados do EE antes mesmo de receber os resultados, para tentar ser incluída já na próxima rodada (vai saber até quando vão chamar 3,500 candidatos por vez, né?), mas agora, com a cabeça no lugar, acho que isso é arriscar muito por pouco. Afinal, a chance de a nota de corte baixar mais 20 pontos é muito pequena, além de inédita, e eu posso dar o azar de ser nomeada por alguma província nesse ínterim e não conseguir comprovar meus resultados depois (maldita prova de redação). Qualquer que seja o resultado, este novo IELTS também pode levar a um acréscimo de pontos para o Québec. Só nos resta esperar.

 

 

Heartbeat

Exaustão. Nenhuma palavra chega tão perto de como eu me sinto agora. It’s been a crazy month…

No próximo sábado eu finalmente passarei pela prova do IELTS General Training novamente, com o coração na boca . A ansiedade cresceu de repente, porque hoje, cinco minutos antes de começar meu reforço de inglês por Skype, eu tive a curiosidade de ver a última nota de corte do Express Entry. A rodada de hoje, 8 de fevereiro, convidou todos os inscritos com pelo menos 447 pontos. A saber, a nota de corte mais baixa até hoje no programa canadense. E então vc, leitor, pode estar se perguntando: “Mas ela não falou que ainda não tinha ultrapassado os 400 pontos? De que isso adianta?

A verdade é que o coração começou a bater mais forte um pouquinho depois de tomar conhecimento da nota, talvez no derradeiro minuto anterior ao início da aula. Tentando saber quantos pontos faltariam para eu chegar a essa nota caso atingisse meus objetivos no IELTS, eu respondi pela milionésima vez as perguntas da calculadora de pontos do EE. Se eu tivesse exatamente 7 no Writing, no Speaking e no Reading e um 8 no Listening – as notas para que venho me preparando no último mês -, nós chegaríamos a exatos 447 pontos. Tum-tum! Tum-tum! tum-tum!

Sim, mas essa é a rodada de hoje. Uma rodada que, como as duas últimos, chamou mais de 3 mil inscritos. E eu não só ainda não refiz o IELTS, como só terei esse resultado daqui a 20 dias (ou duas novas rodadas). Além disso, o mais provável é que eu não consiga essas notas, dado o meu notável desequilíbrio em testes orais, e um mísero 0.5 a menos em qualquer uma dessas competências anula completamente o cálculo acima.

Acontece que, mesmo numa situação tão hipotética, eu nunca me senti tão perto de ver o sonho se realizar. A aula começou pontualmente às 18, enquanto eu ainda absorvia aquela informação. Talvez por estar meio em transe ou por qualquer outro motivo, foi a aula em que menos hesitei ao falar, em que me senti mais confiante. E a felicidade aumentou ainda mais ao final da aula, quando o tutor disse que o meu desempenho hoje poderia ter me dado a nota tão almejada. Ontem ele já tinha comentado um dos meus textos, chamando a atenção par aos pontos fracos (malditos spelling e past perfect) e fortes (Had I known making inversions was so simple, I would have done it a long ago), e hoje, de repente, meu sonho se tornou plausível.  Talvez até mesmo independente de uma nominação provincial. Talvez até mesmo no próximo mês.

Estou tentando baixar minhas expectativas. Primeiro porque a nota de corte deve voltar a aumentar em breve; segundo porque eu achava que ia me dar bem no francês e na hora da prova as coisas não foram exatamente como eu gostaria. Já me decepcionei tantas vezes desde que essa brincadeira começou…

Aproveitando o post, preciso agradecer imensamente o Samuel, que me indicou o GoIELTS. Não tive aulas com a Talita, mas com o Thiago, que tem sido de uma paciência e um estímulo enormes. O tratamento individual, o foco sem desvios no que a prova requer, as várias tips, era tudo o que eu imaginava e mais um pouquinho. É exatamente o que eu queria ter feito para a prova de francês e não consegui porque nesse país ninguém presta a porra do TEF, então não faz sentido preparar ninguém para a prova. Também fez com que eu repensasse a escolha da Cultura Inglesa – que não foi um erro, mas talvez um passo menos acertado.

A última semana foi pesada, intensa de várias formas. Tenho estudado como louca e dormido mal. Uso meu tempo livre para práticas de áudio e de redação. Estou desatenta no trabalho (por sorte num momento de menor demanda), e, por vezes, pensando em como fazer as perguntas mais tolas em inglês – detalhe: para pessoas que não falam inglês. Minha auto-avaliação é geralmente depreciativa: não acho que meu inglês falado vale um 7 e me desmotivo todas as vezes que erro seis questões nos simulados de listening.

Mas agora, agora a única coisa que eu realmente gostaria era de ter a certeza de que sábado eu estarei calma e que, no matter what, eu vou dar o meu melhor. Should I PRAY or should I go?

 

 

 

Estudando para o IELTS – Parte I

Quem acompanha este blog sabe que eu já prestei o IELTS uma vez, dois anos atrás, e que estes foram os meus primeiros pontinhos para a imigração para Québec. O intuito era me livrar logo do inglês para recuperar o francês perdido em cinco anos de inatividade. Assim, naquele momento, o resultado de 7.0 (Overall) foi mais que suficiente. No meio do ano passado, quando estava obcecada com a ideia de fazer um certificado on-line na área de Tradução, eu flertei brevemente com a língua de Shakespeare, para logo em seguida abandoná-la sem eira nem beira em função da intromissão nos meus negócios franceses. Enfim, com o meu exame de 2015 prestes a expirar e um pouco menos afetada pelas constantes mudanças dos processos de imigração, resolvi encarar novamente a prova, com a humildade de quem já passou pela experiência traumática de travar em pleno exame oral. Eu preciso de ajuda, venha de onde vier.

Esquecer o francês foi o primeiro passo – estou proibida de ver, ouvir, apreciar qualquer coisa na língua de Molière. Sim, qualquer uma. Fim das aulas de redação, fim das sessões de Les Parents, pas de recherc. E é isso que acontece sempre ao menor descuido: eu meto acidentalmente uma palavra ou frase em francês do meio do discurso. Melhor continuar repetindo meu novo mantra: I must avoid french language, I must avoid french language, I must avoid…

Em segundo lugar, eu me lembrava que o IELTS é uma prova que mede muito mais o seu treinamento do que o inglês em si. Óbvio que se alguém quer tirar uma nota acima de 7, um bom nível de inglês é fundamental, mas ele sozinho não garante que você vá alcançar a tão sonhada nota que reflete seu nível avançado na língua. Em 2015, eu optei pelo treinamento on-line, muito mais barato, pagando o cursinho do British Council (Road to IELTS, cerca de USD 50). Só que não fazia sentido refazer exercícios que eu já tinha feito – acreditem em mim, nossa memória retém coisas completamente improváveis. Além disso, o curso on-line não te dá um feedback em relação às provas de expressão, justamente aquelas em que eu me dei “mal” (é quase um sacrilégio dizer que que 6.0 e 6.5 no IELTS é uma nota ruim).

Decidi portanto me inscrever no preparatório do IELTS da Cultura Inglesa, que seria oferecido de forma intensiva a partir da segunda metade  de janeiro. O curso que termina hoje foi bom, mas… Lembra daquela coisa do feedback da expressão? Então, ele não foi a prioridade aqui. Não por falta de boa vontade do professor, mas porque, pela percepção dele, o grupo tinha mais dificuldades com Reading e Listening do que com o Speaking. Na minha opinião, o Writing acabou prejudicado pelo formato intensivo do curso: se fosse um extensivo seria possível, tanto para os alunos quanto para o professor, escrever uma redação por semana. No intensivo, ela foi proticamente limitada aos Mock Tests (simulados), ainda que o professor sempre desse dicas sobre vocabulário e estruturas apreciadas no exame. O curso também serviu principalmente como um termômetro para avaliar meu inglês. Estranhamente, depois de um início meio acabrunhado, eu me soltei e, para a minha surpresa, tenho tido um bom desempenho nos exercícios provas de compreensão, especialmente no Reading.

Certamente a preparação não se restringiu à sala de aula: tenho praticado muito Listening, de formas variadas. Comecei ouvindo o BBC World Service sempre que possível, principalmente no trajeto do ônibus ou durante as caminhadas matinais; no curso descobri a existência do TED e do ótimo vocabulário que ele proporciona (que, por tabela, deve ser aproveitado no Speaking e no Writing); finalmente, como IELTS é treino, eu baixei pelo scribd alguns livros de exercícios da Cambridge cujos audios eu busco no Youtube. Nos primeiros dias, fazia um score correspondente a 5.5 e 6. Atualmente, estou me mantendo na casa dos 33 acertos, que corresponde a um 7.5. Meu objetivo é a errar no máximo 5 exercícios, que me daria uma nota 8.0 e o CLB 9 necessário para ganhar pontos extras no processo federal.

Quanto ao reading, tenho a vantagem de ler muito e rápido não importa em que língua, mas uma tática que sempre funciona pra mim é não ler os primeiros textos, geralmente mais simples, e ir direto para as questões. Assim, com um objetivo definido, eu leio as principais palavras para determinar o trecho onde está a resposta que procuro, e, então, leio atentamente aquele trecho para confirmar minha aposta. Tem funcionado. Dessa maneira, quando chegam os exercícios de Headings (que eu considero os mais difíceis) ou um texto muito complexo eu tenho tempo para lê-los e relê-los quantas vezes forem necessárias. O formato da prova ajuda, já que, em geral, cada questão está relacionada a um parágrafo do texto, as quais aparecem em ordem sequencial (ou seja, a resposta na primeira pergunta nunca vai estar no final do texto).

A preparação apra os exames de expressão fica par ao próximo post.

See you!

 

Not that bad…

Acabo de receber o resultado do TEF e a conclusão a que cheguei foi de que eu realmente não faço a menor ideia do que estes examinadores estão procurando. Pra quem se animou, não, eu não consegui notas suficientes nem para chegar perto do corte do Express Entry (e olhe que eu até tinha ficado animadinha com a queda para 459 pontos na última rodada). Ainda assim, fiquei surpresa com meu resultado e, pra dizer a verdade, até um pouquinho feliz. Ao contrário do que eu imaginava, não foi a minha nota de expressão oral que baixou, mas a da expressão escrita. Bem, eu sabia que isso podia acontecer e corri um risco. Baixou em apenas 6 pontinhos (de 351 para 345), mas foi o suficiente para perder o C1 e o CLB 8.

A boa surpresa foi que, apesar de ter tido uma entrevista catastrófica, a nota de expressão oral aumentou de 285 para 338, ou, em termos de Express Entry, passou de um CLB 6 para um CLB 7. E por que diabos isso é importante? Porque seja para o programa de New Brunswick, seja para o programa de Ontario, é preciso ter no mínimo CLB 7 em todas as competências para me candidatar  como “francófona” aos programas destas províncias, coisa que o CLB 6 de maio não me permitia. A diferença para atingir um C1 foi bem pequena dessa vez, o que me deixa pensando que se eu não tivesse tido um tema tão estúpido na prova oral, eu ainda teria um C1 de lambuja para o Québec.

De qualquer maneira, ainda existe uma luz no fim do túnel – mesmo que todo este esforço tenha acrescentado apenas 13 pontinhos na nossa pontuação geral do Express Entry. Hoje temos 347 pontos com francês como primeira língua e precisamos de pelo menos 400 pontos para sermos considerados por Ontario. De onde tirar então os 53 pontos que faltam? Do IELTS. Me explico: meu teste completa dois anos agora em março, de forma de que deixará de ser válido tanto para o Québec quanto para o Express Entry. Assim, eu já havia agendado um novo exame para fevereiro e hoje começo as aulas de preparação (coisa que não fiz da vez passada). A ideia é respirar inglês, assim como fiz com francês, portanto, hoje começo um intensivo de duas semanas na cultura inglesa, especialmente voltado para o IELTS. Na sequencia, faço o intensivo do WIT, que foca na redação. Meu único problema agora é decidir como treinar a expressão oral. Gostaria de fazer aulas particulares nas duas semanas que antecedem a prova (acho que deu certo com o francês), mas queria algo perto de casa e que coubesse no meu orçamento. Por acaso alguém tem professor de inglês para indicar?