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A informação abaixo é de ontem:

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Feliz!!!!! 🙂

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A saga continua – parte 2

Já dizia um ditado popular que miséria pouca é bobagem, não é? Pois minha saga canadense rende um roteiro digno de Desventuras em Série (se contarmos desde as primeiras tentativas para o Québec, então…) Mas, exageros à parte, eu nem desconfiava que teria novas borboletas no estômago quando recebi o e-tracking da VFS Global (agencia que cuida do encaminhamento de vistos para o Consulado do Canadá). Então senta que lá vem a história…

Algum de vocês é ansioso? As minhas unhas comprovam que eu sou. Ao extremo. Meu maxilar deslocado também. Mas após o e-tracking eu relaxei um pouco com relação ao Canadá porque precisava focar no pedido de residência temporária português. Minhas aulas começam em outubro e seu eu não quiser gastar todas as minhas economias em passagens aéreas, é importante ter o visto em mãos o mais rápido possível. Consegui m desvencilhar deste problema por volta do dia 20, apenas três dias depois do e-tracking canadense. E como todo consulado trata a concessão de vistos como se fosse um segredo de Estado, não tinha muito a fazer  até eles se pronunciarem, o que me fez voltar a focar no processo canadense.

Todos os dias, pelo menos umas três vezes por dia, eu invadia o MyCIC na esperação de ver um APPROVED (já tive esse gostinho quando solicitamos o visto de turista), mas o e-mail do pedido de passaportes dizia desde o começo que levavam cerca de 10 dias úteis para finalizar a emissão. Mesmo que o correio apontasse a entrega no dia 14, adotei o dia 17 para iniciar essa contagem, afinal, foi quando recebi o e-tracking e a comunicação de que meu passaporte tinha sido transmitido ao Setor de Vistos do Consulado.

O tempo foi passando, passando, e eu devorando blogs para tentar estimar o tempo médio de devolução. Nessa busca, tive a confirmação de o status do MyCIC me alertaria que tudo estava terminado e não ver essa alteração acontecer dia após dia foi aumentando ainda mais o meu estado crítico. Então, numa tentativa de aplacar minha ansiedade, resolvi reler a cartinha do pedido de passaporte. Nem sei o que esperava encontrar lá, mas, pela primeira vez me dei conta que, ao lado do pedido de fotos, havia um link. Este link aqui. Como é que eu não tinha visto isso antes?

Bom, mais uma coisinha pra passar o tempo, né? Pra passar o tempo e pra perceber o quanto eu sou estúpida e retardada e inconsequente e todos os adjetivos ofensivos o suficiente para retratar minha frustração naquele momento. P*rra (de novo!), pra que raios serve a triagem do VAC se eles não se dão conta de que eu não atendi a um dos requisitos básicos para a emissão do visto? Por que não me devolveram meus documentos de imediato? Por que não me solicitaram novas fotos? Por que encaminharam tudo pro Consulado assim mesmo? Por quê? Por quê? Por queeeeeeeeê?

Hora de ter cabeça fria e procurar solução, afinal chorar sobre o leite derramado não resolve a vida de ninguém. Mandei um e-mail para o VAC. Como eles não são exatamente rápidos para responder (a parte do e-mail automático que recebemos a cada envio), resolvei tentar um contato direto com o Consulado e, para a minha surpresa, recebi uma resposta logo após o almoço. Eu devia enviar as fotos diretamente para eles.

Toca procurar lugar pra tirar foto o que, por incrível que pareça, é algo praticamente inexistente no centro de São Paulo. Saindo novamente em pleno horário de serviço pra resolver perrengue (haja hora extra pra compensar tudo), achei uma gráfica que fazia o serviço pela bagatela de 14 reais.  É, 14 reais por duas fotos que ficariam prontas na hora, com qualidade profissional (faz-me rir). Acontece que além do formato 5×7, o Consulado também exige que o fotógrafo ou estúdio fotográfico esteja identificado no verso da foto, ou seja, não dá pra pegar aquele seu arquivo jpeg e simplesmente mandar “revelar” por alguns centavos, no tamanho que você quiser.

Como não podia ser fácil, logicamente que a pessoa que me atendeu estava em treinamento e, certamente, estava fazendo aquilo pela primeira vez na vida. E olha que eu nem sou do tipo fresca, que fica preocupada se saiu bonita na foto. Eu disse que a primeira já tava boa, só queria terminar aquilo logo e, quem sabe, deixar o pacote no correio naquele dia mesmo. Mas não, ela ficou pelo menos uma meia hora brigando com a impressora que “revelava” a foto na hora e depois, outra meia hora brigando com a guilhotina. Errou o corte, precisou imprimir de novo. Chamou a gerente, voltou a cortar com a guilhotina e então, quando eu pego a foto pra levar embora, me dou conta que o corte inferior está mais ou menos na altura no meu umbigo.

Foi isso que você leu mesmo: a menina me enquadrou da cintura pra cima. E se você tiver aberto o pdf com as orientações para a fotografia, vai notar que eles são bem específicos com relação ao plano escolhido: deve ser um close do rosto, começando logo acima do busto, enfim, ombros, pescoço e cabeça, exatamente como qualquer foto de documento. Quando reclamei, a atendente olhou pra gerente como se eu fosse a cliente implicante e a segunda decidiu fazer ela mesma o servi;o que a outra tinha começado. A foto ficou longe de ficar boa. Pra começar porque o balanço de cores ficou errado (digamos que a foto ficou ligeiramente azulada), segundo porque, ao dar o zoom para o novo enquadramento, a imagem estava menos nítida. Não chegou a ficar péssima e, como eu já estava de saco cheio de ficar ali esperando, levei do jeito que estava, me amaldiçoando por não ter feito as coisas no tempo correto.

Como não podia ficar ainda mais tempo ausente do trabalho voltei e me prometi que iria mandar o envelope no dia seguinte por Sedex Hoje (amigos me convenceram que o Correio toma mais cuidado com este tipo de postagem, além do acompanhamento em tempo real). Dia 26, as 16h, meu envelope foi recebido no Consulado e as 18, ele chegou ao CCD Água Branca. Cuma? Afinal, foi entregue ou não foi?

Pois eu ainda não sei. Meu colega da mesa ao lado disse que foi apenas um erro de alimentação do correio, para eu me tranquilizar. O Consulado, que me respondeu tão rápido da primeira vez, simplesmente ignorou todos os meus e-mails posteriores (foram três ao todo). Hoje, batendo no 11o. dia do envio do e-tracking, resolvi ligar no Consulado. Uma sucessão de mensagem gravadas e ninguém para auxiliar em nada. Estou começando a entrar em pânico novamente, por medo de que meu visto seja negado porque não receberam as fotos no tamanho correto e, principalmente, por receio de que meu passaporte não retorne antes da entrevista do Consulado português que pode ser marcada a qualquer momento.

E agora vocês já estão em dia com o andamento do meu visto. Assi que eu avistar um sinal de fumaça, passo por aqui.

 

 

 

A saga continua – parte 1

Eu passei na fila da emoção muitas vezes antes de nascer, e essa emoção toda resolver invadir o meu processo. Para contextualizá-los (afinal eu anda desaparecida do blog), estou completando hoje o 11o dia útil desde que enviei meu passaporte ao Consulado. E vocês nem fazem ideia de quanto eu já suei frio por causa disso.

Recebi o pedido de passaporte no dia 10 de julho, com extrema surpresa e apreensão. O primeiro arroubo emocional: como assim o CIC processou minha candidatura tão rápido? Como isso pôde acontecer quando eu menos esperava? Por que tinha que acontecer junto com a aprovação no Mestrado? Eu, que já tinha feito os planos de transferir meu processo para Portugal, que tinha certeza que nada sairia antes de novembro, agora tinha que mandar meu passaporte com urgência para o VAC de São Paulo. Por que urgência? Porque ele tinha que estar de volta para a entrevista do Consulado de Portugal, que eu imagino que deve acontecer a partir da segunda quinzena de agosto. A ansiedade em mandar foi tanta que só podia dar em m*rda mesmo…

Depois de pagar as taxas do VAC e juntar duas fotos 3×4 (atenção a este detalhe!), declarações e passaporte, deixei meu episódio fechadinho no Correio mais próximo do trabalho, como já fiz outras tantas vezes no último mês. Até aquele dia, nunca tinha entendido porque as pessoas se queixavam tanto dos Correios. Pois hoje eu sei. Para o envio, selecionei um Sedex comum, afinal, o dinheiro não tá sobrando (ah, se eu soubesse…), e ia chegar no dia seguinte mesmo.

Deixei o envelope no correio e, no meio da correria do trabalho, me esqueci dele até a noite do dia seguinte, quando, certa de que o pacote tinha sido entregue, resolvi apenas confirmar se ele já tinha chegado. Não tinha. Como assim não tinha? Simulei novamente o prazo de entrega e, de acordo com o próprio site dos Correios, tinha que ter sido entregue naquele dia. No tracking, o último movimento registrado era a saída da agência para o centro de distribuição no dia anterior, mas era um movimento sem conclusão: não havia o recebimento do envelope no CCD. No dia seguinte bem cedo, com uma pulguinha atrás da orelha mas ainda otimista, resolvi ligar no VAC. Devia ser apenas falta de atualização e meu envelope devia estar por lá. Pediram meu numero de rastreio. Não, não tinha chegado.

Alerta, resolvi abrir uma reclamação nos Correios. Só o que me passava pela cabeça era que a Polícia Federal estava com emissão de passaportes suspensa. P*rra, só faltava terem perdido meu passaporte… Recebi um e-mail automático e, não contente, resolvi ligar no SAC deles. Recebi a mesma informação do e-mail: meu envelope não podia ser localizado pelo sistema e eu teria uma resposta deles em até cinco dias úteis caso não fosse encontrado, podendo solicitar uma indenização tosca neste caso. Indenização? “Helooo, seu atendente, você tem noção do que vai acontecer com a minha vida se não acharem esse envelope? Eu tenho um infarto fulminante.”

Como nenhum serviço de call center serve pra nada além de ouvir a gente soltar os cachorros e vociferar a respeito da incompetência da empresa que representam, o atendimento dos Correios cumpriu sua função. Pois bem, já que eles não conseguiam rastrear o paradeiro do meu envelope, decidi fazer o serviço eu mesma. E depois de mil pesquisas na internet e uma manhã perdida no trabalho para descobrir onde ficava o tal centro de distribuição, peguei um taxi e fui até a zona sul da cidade gastar além do necessário para um Sedex Hoje ou um envio DHLsó para chegar no CCD Saúde, onde, obviamente, ninguém sabia do meu envelope. “Não chegou aqui, não.” Expliquei, implorei, tremi e minha cara de gato de botas deve ter sido tão crível que a atendente disse que iam continuar procurando e meu deu o telefone dela pra eu ligar mais tarde pra ter notícias.

Tomada de total desalento, voltei para o trabalho, mas decidi antes passar pela agência onde tinha deixado o envelope dias antes. “Vai estar lá! Registraram a saída, mas deve ter caído do pacote! Só pode estar lá! Pensamento positivo, menina!” Mas ao receber minha trocentésima negativa, eu desabei. Tomada pelo pânico, minha boca secou e as lágrimas tomaram meu rosto. Eu tremia enquanto a gerente tentava ver o paradeiro dos outros pacotes enviados ao CCD junto com o meu: todos tinham chegado ao destino.

Depois de me acalmar um pouco, resolvi seguir para o restaurante onde um colega de trabalho comemorava o último dia de trabalho antes da aposentadoria. Os colegas que sabiam do meu percalço tentavam me consolar e eu consultava a internet freneticamente para verificar as condições da emissão do passaporte de emergência. Apenas revirei a comida e voltando ao escritório, sem muita esperança, entrei automaticamente no rastreio dos Correios. E, para o meu êstase, lá estava o meu envelope, seguindo para o destino final. Assim, sem ter passado por lugar nenhum, ele “milagrosamente” reapareceu no sistema, saindo da agência mais próxima ao Consulado canadense em direção ao VAC. Meu coração se acalmou momentaneamente, mas eu só sosseguei mesmo três dias depois, quando recebi o e-tracking do VAC.

Você tá achando que acabou? Amanhã tem mais um capítulo.

 

E agora, José?

Acabaram de pedir meu passaporte e minha cabeça, que já estava dando múltiplas voltas, está a ponto de sair de órbita. Hoje faz exatamente 132 dias que recebi o ITA; 104 que recebi minha AOR. Foram mais de dois meses para ser aprovada nos exames médicos e agora, sem mais nem menos, eu vou receber meu visto? Os visto que eu persegui durante quase 2 anos e meio e que eu jurava que não sairia antes de novembro. Alguém me belisca, por favor. Justo quanto eu recebo minha aprovação no mestrado? Por Deus, o que eu tô fazendo com a minha vida…

(em pânico)

(mas feliz)

A volta dos mortos-vivos

Hi bonjour! Primeiramente preciso fazer um mea culpa. Há mais de três meses não passo por aqui e no último post ainda aguardávamos o atestado de antecedentes criminais do copain para finamente submeter a candidatura à imigração canadense. Muita água rolou desde então e eu precisei me afastar de tudo para recuperar um pouco de sanidade. Olhando pra trás, do momento em que me encontro agora, eu gostaria de ter sido menos ansiosa, de ter surtado menos e de… ter demorado mais. É, um bocado contraditório, não?

Os documentos, as traduções, as explicações, enfim, a minha vida no papel ficou pronta em 28 de março e, logo após apertar o botão de envio, recebi o famoso AOR (a vida dos aplicantes do Express Entry é recheada de siglas), que pra falar bem a verdade eu não sei exatamente o que abrevia. A carta tinha o numero da minha inscrição e um novo item foi criado no meu cadastro do MyCIC: Permanent Residency.

Após atingir este ponto começa de fato o processo análise do seu pedido de imigração e o site do CIC promete que o tempo médio de processamento é de até 6 meses. Todos os aplicantes, não importa exatamente por que linha seu ITA foi concedido (indicação de província, CEC e FSW, Inland e Outland). Na época de “vagas magras”, a primeira alteração de status costumava ocorrer duas semanas depois da AOR. Acontece que este ano, estão processando mais que o dobro de candidaturas e, a meu ver, isto já está impactando no tempo de emissão do visto de residente. Para vocês terem uma ideia, só tive a confirmação de que os exames médicos estavam ok mais de dois meses depois da AOR, no último dia 03 de junho.

Mas eu falei lá em cima que gostaria de ter demorado mais, não foi? E por quê? Bem, tudo o que li até o momento me dá a entender que terei que fazer o landing até um ano após a emissão do meu laudo médico, que foi concedido em 04 de março de 2017. Se fizermos de conta que o prazo médio de 6 meses será respeitado, eu terei que entrar o Canadá entre outubro deste ano e fevereiro no ano que vem. Outubro (e talvez até novembro) eu já deveria riscar da lista, pois se o ok dos exames médicos levou 2 meses, estou prevendo que o visto só deve sair mesmo em dezembro. Ou seja, tudo indica que eu terei que imigrar em pleno inverno.

Tem ainda um segundo porém do qual eu ainda não tratei aqui. Nos próximos meses o copain irá para Portugal por conta de uma oportunidade profissional – deve passar de uma  dois anos por lá. Já sabíamos disso desde antes do ITA e foi um dos motivadores para eu me candidatar sozinha, só que agora, com essa previsão de atraso, eu comecei a repensar os planos que tinha feito. E uma ideia besta está me fazendo reconsiderar o calendário: a possibilidade de fazer um Mestrado em Tradução trilíngue na terrinha. Minha documentação já está em análise da universidade e no início de julho fico sabendo se fui aprovada. Se isso acontecer, terei de dar conta de mais algumas reviravoltas, como ir primeiro a Portugal, transferir meu processo de imigração para a Embaixada do Canadá de lá, entrar em Ontário por dois meses para conseguir o cartão de residente e retornar à Europa para finalizar o curso. Enfim, é uma confusão que prefiro explicar se e somente se eu for aprovada (ou nem vale perder o tempo de pensar). Se eu tivesse feito meus exames médicos em maio, os problemas seriam bem menores…. rs

Tem gente que vai ler isso e achar que estou tentando atirar para todos os lados. Na verdade, a mira é mesmo no Canadá. Procurando por empregos na região de Ottawa vi várias vagas para tradutores francês-inglês, com e sem necessidade de registro na Ordem. O problema é que, além do custo do mestrado canadense ser alto, não há nenhuma opção que inclua o português como uma terceira língua, além de que costuma ser pré-requisito que o inglês ou o francês sejam língua materna. Aqui no Brasil essa opção também é inexistente e o legal do mestrado português é que, assim, como o canadense, tem um ano de teoria da tradução bem forte – fundamental para construir uma base que meu curso de licenciatura não me deu.

Por enquanto, continuo acompanhando o andamento da minha candidatura canadense. Assim que tiver novidades, dou um alô – mas, por enquanto, nem sinal de fumaça para a próxima fase.

 

Exames. Checked?

Já tem cerca de uma semana que estou enrolando para escrever este post, mas existem motivos concretos para isso. Queria falar da experiência como um todo, incluindo o exame médico do copain, que, por uma série de desinformações, só conseguiu concluir esta etapa hoje. E como não sou quase nada ansiosa, arranjei mais alguns motivos para aumentar a minha insônia.

Nossos exames foram realizados em dias diferentes, pura e simplesmente porque não sabíamos que o copain também teria que passar pelo exame médico. Eu só descobri isso ao terminar de preencher o formulário do pedido de visto (aquele mesmo em que eu tive que listas todas as nossas saídas do país, uma a uma, nos últimos dez anos e que levei uns dois ou três dias pra terminar porque não sabia se poderia corrigir os dados depois). Inicialmente achei que tinha preenchido algo errado e que, por isso, estavam pedindo os documentos dele, mas depois descobri isso aqui:

“If you apply for permanent residence, you must have an immigration medical exam. Your family members must also have a medical exam, even if they are not coming with you.”

O meu exame foi feito numa clínica de Higienópolis, bairro na zona oeste de São Paulo. Foi minha primeira opção por se tratar do consultório mais próximo da minha casa e depois descobri que é também o consultório com maior disponibilidade de datas atualmente. Mandei um e-mail para eles na quarta-feira, ao qual me responderam que poderiam marcar minha consulta para a segunda-feira seguinte. Perguntei se não poderiam me encaixar na sexta-feira, pois estava com medo que meu ciclo interferisse no exame de urina e fui prontamente atendida. Neste dia, cheguei mais cedo e peguei o pedido do exame de sangue para fazer no laboratório Lavoisier (coberto pelo plano de saúde), o exame de urina foi feito na clínica. O pedido de exame precisa estar no nome do médico autorizado pelo consulado, por isso não adianta pedir para o seu médico de longa data adiantar esse serviço para você. Tentar cortar caminho aqui só vai dar mais despesa, pois vc terá que fazer os mesmos exames duas vezes e o convênio não vai querer arcar com a segunda.

A consulta incluindo o exame de urina custou R$ 400,00 e levou cerca de meia hora dentro do consultório. Passei por ausculta de pulmão e batimento cardíaco, pesagem, medição de altura e pressão, mais o exame de vista (os ceguetas rebeldes como eu devem levar os óculos) e por um questionário interminável em que minhas resposta sempre eram não. Saindo de lá fui ao laboratório Fleury, que fica a três quadras do consultório para fazer o raio-x de tórax. Este exame precisa ser agendado, mas se você chegar mais cedo (como aconteceu comigo), eles podem tentar encaixar. Só de bater o olho no nome do médico a atendente já peguntou se era para imigração e para qual país, e informa que um convênio com o consulado canadense, o exame tem um desconto e custa aproximadamente R$ 190,00. Levei duas horas entre pegar o pedido do exame de sangue  no consultório e sair do raio-x direto para minha casa.

No geral o atendimento foi satisfatório, exceto por um porém: as atendentes do consultório não tem assim aqueeeeela boa vontade. Na verdade a culpa nem é delas, mas elas acabam confundindo a gente. Por exemplo, no meu caso, eu precisava fazer um exame upfront, ou seja, sem aquela solicitação que vem pra quem passou pelo processo provincial do Quebec. Daí ela me deu uma folha e me mandou colocar para que tipo de visto era. Eu anotei que era para residência permanência – e não é? Daí ela disse que aquele tipo de visto não existia. Como? Que só existia o de estudante, o de família, o de trabalho e um outro lá que agora eu não me lembro. Depois de pensar um pouco (é, eu tive que pensar), entendi que deveria pedir um exame para visto de trabalho, afinal o nome do meu programa é Federal Skilled Worker, né? E ainda tive que ouvir  se eu tinha certeza daquilo. Provavelmente alguém já informou isso errado e depois quis pedir para refazer sem custo. Acontece que quando tentei mostrar o myCic pra ela confirmar, ouvi ela disse que não ia olhar e que eu tinha que saber qual era – de uma forma mais educada, obviamente, mas se eximindo de qualquer tipo de responsabilidade.

Isso acabou sendo um problema quando o copain foi fazer o exame dele, na quarta-feira seguinte. Como ele não vai pro Canadá ficamos sem ter certeza se ele tinha que fazer o exame de família ou o de trabalho – afinal, ele não vai trabalhar, só está fazendo o maldito porque é meu conjoint. Por alguma ideia estúpida, resolvemos que ela ia confirmar no consultório e aí a secretária falava que ele tinha que ter um IME, que não pode fazer o exame de família sem um IME, e criou uma confusão quando então ele sugeriu para fazer o exame como sendo de trabalho. Ele não conseguia falar comigo no celular, então decidiu ir embora e marcar para outro dia, que acabou sendo hoje. Nem preciso dizer que isso gerou um stress desnecessário. Outra coisa: não informaram para ele que seria necessário agendar o exame de raio-x, e, por sorte, hoje de manhã, lembrei que ele não tinha comentado nada sobre o horário do raio-x. Decidi ligar pro Fleury e fazer o agendamento por conta própria – na pior das hipóteses eles teria dois horários agendados. Eu fui buscá-lo na saída do exame e, no wonder, ele veio me dizer já meio bravo que a secretária falou que ele tinha que ter agendado um exame e que, como não tinha feito isso, era pra ele ir num laboratório do outro lado da cidade que lá eles também eram credenciados e não precisava de agendamento. Eu expliquei que tinha lembrado disso esta manhã e que tinha ligado no Fleury ali daquele bairro, que só tinha horário no final da tarde, mas que eu achava que a gente podia dar um pulinho lá pra ver se não dava pra encaixar.

O laboratório estava lotado, o que achei que seria mal sinal, e de certa forma foi. Levamos quase meia hora para passar pela triagem, mas não apenas conseguimos adiantar o exame como saímos de lá menos de 15 minutos depois. Quando retornei ao trabalho, o copain já tinha terminado todos os exames e chegado em casa. Os custos foram idênticos aos meus.

A única coisa diferente aconteceu por conta do histórico médico dele. Há dois anos o copain toma remédio pra pressão alta (dizem que é comum depois dos 40) e acredito que a medição da pressão tenha dado alterada, pois o médico pediu um exame extra pra ele. Imagino que isso não será um problema, pois o copain contou que o médico até já explicou o que ele tem que fazer para comprar o medicamento lá no Canadá, mas nem preciso dizer que meu coração começou a bater ainda mais apertado, precisa? Enquanto isso, continuamos atrás do atestado de antecedentes criminais do Reino Unido. Antes dele chegar, será impossível completar a aplicação.

 

First Steps

Cinco dias atrás, quando recebi o ITA, imaginei que estaria agora escrevendo uma série de posts clichés e repetindo as informações que todo mundo já cansou de escrutinar nos blogs de imigrantes. A verdade é que eu acho muita coisa errada e que o processo canadense nunca cansa de me surpreender.

A primeira mudança do ano foi no prazo para a submissão dos documentos. A partir de 2017, nós temos 90 dias para correr atrás da papelada e, ainda que que a gente se prepare com antecedência, sempre tem coisa faltando e deixando a gente de cabelo em pé. Tudo é enviado digitalmente – quem já tirou visto de turista sabe como é -, o que, em teoria, facilita as coisas, mas só é possível subir um arquivo por tipo de comprovante. Assim, toca a escanear dez documentos diferentes de uma única vez, tomando cuidado para não ultrapassar o tamanho limite.

Só que antes de mandar qualquer coisa (e assim confirmar sua aplicação), você tem que preencher um formulário gigantesco, e a impressão que temos é que, se pusermos alguma informação errada ou não completarmos todos os campos, nossas chances vão todas pro beleléu. Bom, pra falar a verdade eu não sei o que acontece com quem não preenche tudo, mas trocar informações é perfeitamente possível no estágio seguinte (eu troquei várias). Assim, não tem que pirar porque trocou um número do seu certificado do IELTS ou porque pura e simplesmente não conseguiu se lembrar ainda de todas as viagens feitas ao exterior nos últimos dez anos. Coloque o maior número de informações concretas que puder e depois vá revisando. A questão é que, enquanto a gente não termina de preencher este formulário a gente não tem acesso aos documentos necessários e é aí que o bicho pega de verdade.

Vocês devem estar lembrados de que eu estou aplicando sozinha, correto? O que eu não sei se todo mundo entendeu é que eu continuei declarando minha união estável. Acontece que, para a minha surpresa, mesmo viajando desacompanhada, eu continuo precisando comprovar tudo para uma família de dois. Não sei vocês, mas eu achei bizarro quando percebi que o copain precisaria fazer os exames médicos da mesma forma que eu. A quantia de dinheiro a comprovar também é para duas pessoas (atualmente em torno de C$ 15,300) e além disso, tem os papéis que comprovam a união estável, entre eles essa declaração aqui. Na verdade, as duas únicas diferenças da minha aplicação para a de um casal, é que o score é calculado sobre uma única pessoa e ao final só temos direito a um único visto, o do aplicante principal.

Obviamente, depois de ter acesso aos documentos necessários, achei que tinha feito alguma coisa errada, mas depois descobri no site do CIC que esse é o procedimento padrão mesmo e ele é necessário para que, no futuro, seja possível pedir o reagrupamento familiar do cônjuge. Detalhe: se o cônjuge for reprovado no exame médico, ou apresentar antecedentes criminais, você pode ter o seu visto negado mesmo que a sua parte esteja toda certinha. Pra falar a verdade, achei isso muito bacana, pois, sob o meu ponto de vista, já deixa engatilhada a possibilidade de voltarmos a morar juntos no futuro, em condições legais. Ah, o CIC também pede para explicar por que diabos o seu companheiro/a não está te acompanhando nessa aventura. É esse o ponto que dá mais medo: e se eles acharem que nossa justificativa não é válida? E se acharem que a gente só fez desse jeito porque não tínhamos pontos suficientes para receber o ITA se aplicássemos como casal (o que não deixa de ter um pouco de verdade)? E se acharem que estamos tentando enganar a imigração? É, já deu pra perceber que estou surtando.

Basicamente são estes os documentos de que a gente precisa providenciar.

Para o casal:

  • Cópia da folha de identificação e das demais as folhas utilizadas do seu passaporte vigente (todas as que tiverem algum tipo de carimbo);
  • Exame médico que deve ser feito up-front, ou seja, antes de receber a solicitação de exames, apenas nos consultórios e laboratórios credenciados junto ao consulado. Pois é, nem adianta aparecer na sala do médico com uma bateria de exames já feita, mas eu devo fazer um post a respeito na semana que vem, então não vou me alongar;
  • Atestado de antecedentes criminais de todos os países onde você ou seu cônjuge já moraram por mais de seis meses, mesmo que em períodos alternado. Aqui acendeu uma luzinha vermelha: como providenciar o atestado criminal do Reino Unido para o copain? Ao que parece, é mais fácil do que imaginamos;
  • Fotos tipo passaporte digitalizadas, com medida mínima de 3,5 x 4,5cm.

Apenas para o aplicante principal:

  • Copia dos diplomas. Curiosamente, eles não citam o ECA aqui, mas eu acabei juntando o documento do WES ao arquivo com meus diplomas traduzidos;
  • Comprovantes de trabalho. Eu achei que ia poder me dar ao luxo de mencionar apenas o meu último emprego, afinal, já estou lá há quase seis anos, mas na etapa do formulário temos que apontar nossas ocupações nos últimos dez anos. Pra piorar, um dos meus empregadores anteriores já não existe mais e, como era um trabalho vinculado ao governo da Espanha, todos os documentos que tenho para comprovar o emprego estão em, tadá!, espanhol. Alguém sabe se dá pra fazer tradução juramentada espanhol-inglês aqui no Brasil? Já tentei conseguir uma nova carta em português no consulado aqui de São Paulo, mas uma pessoa me joga pra outra e, no fim ninguém quer assinar nada.
  • Comprovantes de renda para subsistência no Canadá. Essa está sendo  a parte mais confusa na minha minha opinião, pois em nenhum lugar está escrito explicitamente se devo comprovar a quantia de 1 ou 2 pessoas. Se precisasse comprovar apenas uma seria mais fácil, pois as contas que temos em apenas um banco já dariam conta do recado com uma certa tranquilidade em relação às flutuações cambiais. No entanto, decidir fazer o teste da elegibilidade (aquele que a gente faz antes de abrir o perfil do express entry) outra vez alterando apenas este item e, como vocês podem imaginar, se demonstrarmos menos de C$ 15,400, eu me torno inelegível;
  • Declaração de união estável, que já está me fazendo pensar na peregrinação por São Paulo para fazer um cartório assinar um documento em inglês. É importante frisar que nessa mesma declaração, o Canadá sugere quatro diferentes tipos de provas da união estável (o que me deu a impressão de serem mas mais fortes): (a) contrato de aluguel, hipoteca ou compra de imóvel em nome de ambos; (b) outra propriedade adquirida conjuntamente fora a residência; (c) conta bancária, empréstimo ou cartões de crédito conjuntos ; (d) imposto de renda canadense onde conste o parceiro como dependente. Outro ponto favorável para tal comprovação é que um dos cônjuges tenha um seguro de vida que tenha o outro como beneficiário. Por último, se vc não tiver nenhum desses comprovantes, eles deixam um espaço pra gente listar outros documentos que comprovem a união (faturas, plano de saúde, etc).

Finalmente, há ainda um campo onde você pode mandar uma carta de explicação, que, no nosso caso, vai ser utilizada pra explicar o porquê  de estar indo desacompanhada; a falta da carta do empregador referente ao escritório espanhol; e, ainda, o resultado do meu TEF  já que não há como inserir os dados de dois certificados ao mesmo tempo (se vcs repararem, eles não pedem cópia dos testes de língua).

Até agora, já consegui finalizar o meu exame médico, os diplomas e a copia dos passaportes. Segunda-feira é dia de providenciar os comprovantes financeiros e solicitar as traduções destes documentos, dos comprovantes de residência mais recentes e dos certificados da polícia. Estou trabalhando com a data de 15 de abril para envio dos documentos, o que levaria à provável conclusão do processo em outubro ou novembro deste ano. Desejem-nos sorte, porque empenho é o que não nos falta! 🙂

 

Noites Brancas

Eu não sei exatamente o que me acordou. Fui dormir por volta das 22h30 e exatamente à meia-noite despertei. Lá fora havia gritos de Vai Curíntias (no bairro do Palmeiras?), dentro de casa o meu estômago reclamava de algo que comi (ou seria pura ansiedade?). Tudo isso embalado por uma onda de calor forte, intenso, que me fazia revirar na cama e deixar a janela escancarada.

O dia tinha sido um daqueles dias ruins, em que a gente faz um bocado de besteira (nada muito sério) e que não vê a hora de acabar. Um detalhe exatamente tinha estragado meu ânimo logo cedo: sem ter muito o que fazer na manhã da quarta de cinzas e de pé desde às 5h30, inventei de fazer testes, de rever meu perfil do Express Entry, mais especificamente em relação ao NOC da minha profissão. E, com isso, consegui tornar o meu perfil inadmissível. Quê? Como? Isso mesmo, inadmissível.

Não sei quantos de vocês tiveram problemas na hora de escolher o NOC. Acontece que, no meu caso, parece ser muito difícil enquadrar as minhas atividades numa única ocupação de profissão canadense. Quem já trabalhou no serviço público sabe o quão desorganizada a coisa é: todo mundo ocupa a mesma função, mas ninguém faz exatamente o mesmo trabalho. Lá em agosto, quando preenchi o perfil, depois de procurar as descrições de profissionais de administração, de recursos humanos, de comunicação e do raio que o parta, decidi me cadastrar como Administrative Assistant que era o “título” que soava mais parecido com o da função que ocupo. Acontece que, depois de fazer algumas buscas no job bank e outros sites de emprego, me dei conta que essa era a nomenclatura aplicada às secretárias. E eu sou tudo no meu trabalho, exceto uma secretária.

Não entendam isso como desprezo à profissão. Eu já fui secretária em outras oportunidades e é exatamente por isso que não quero voltar a ser nunca mais. Eu não tenho o senso de organização necessário para cuidar da vida de outra pessoa, eu não sou aquela pessoa feliz que recebe bem as pessoas, eu tenho memória de peixe e nunca anoto nada. Detalhe: essas eram algumas das atividades que descreviam o NOV no Assistente Administrativo.

Saí então procurando outras alternativas e gostei particularmente do Administrative Officer, mas aquele negócio de supervisionar pessoas… Eu até faço isso informalmente, mas não faz parte das minha atribuições. Mas o que eu queria mesmo era algo em recursos humanos, mas todos eles traziam as descrições do pessoal que trabalha com recrutamente, admissão, etc. E então, finalmente, achei um NOC que parecia casar com o que eu fazia – com ressalvas, logicamente -, um tal de Personnel Clerk e lá fui eu rapidinho atualizar meu perfil do EE. Agora dou um doce pra quem descobrir a pegadinha…

Ocorre que o tal do Personnel Clerk é uma função de nível médio que pertence, tchanananam, ao NOC C! E quem já tá nesse mundo de imigração faz tempo sabe muito bem que NOC C não é elegível para o Federal Skilled Worker Program. Assim, no momento em que eu jurei solenemente que informava a verdade, nada mais que a verdade, e confirmei que tinha desempenhada 5 anos de trabalho como Personnel Clerk, meu perfil automaticamente se fechou e eu não consegui fazer mais nenhuma alteração. E isso quando, minha gente? Na manhã do dia 1º de março! Pois é, antes de nascer eu devo ter passado na fila do “com emoção” muitas vezes.

Tentei de todas as maneiras reabrir o meu cadastro e depois de uma meia hora tentando, desisti e decidi fazer um novo perfil. Ah, também tive que criar outra conta no job bank, enfim, foi um trabalho do cão e eu me amaldiçoei inúmeras vezes durante o processo de repreencher tudo. Terminei por volta de 8h30 da manhã e me decidi por Administrative Officer, já que era uma profissão que poderia exigir o nível superior, com a minha de fato exige. A pontuação entrou imediatamente, mas aquele negócio do perfil onde aparece Aplication/Profile Status tinha uma mensagem como “under verification” que se repetia no ITA Status. Julguei que era algo semelhante ao que tinha acontecido durante o Carnaval, quando a nova nota do perfil atualizado ainda não tinha entrado, e abri o MyCic mais algumas vezes durante o dia, só para saber se a tal da verificação já tinha terminado e meu perfil estava operacional.

E o dia transcorreu normal, com algumas chatices extras por conta do trabalho. Voltei pra casa, assisti tevê sem prestar atenção em nada porque pesquisava compulsivamente o preço de moradia temporária em Ottawa e enfim decidi dormir, quando voltamos à cena descrita no primeiro parágrafo. E como o assunto EE não sai mais da minha cabeça, resolvi checar se o fato de passar um minuto da meia-noite influenciaria o tal do Profile Status, pra ler, com todas as letras, Invitation Received. Como podem deduzir, passei outra noite em claro! 🙂

 

 

 

Reviravoltas

Se meu sono já andava atrapalhado, desde quinta-feira ele simplesmente não dá as caras. Ou dá, nas horas menos convenientes (como quando você se propôs a ajudar sua irmã a cuidar do seu sobrinho que não pára de chorar às 3 horas da madrugada). E isso tudo por conta do nosso plano C – o qual nunca foi abordado aqui.

Sei de muita gente que fica incomodada quando lê pelos blogs de aspirantes a imigrantes gente indecisa, que não sabe pra onde vai. Que uma hora quer ir pra lá, outra hora quer vir pra cá… Acontece que tem hora que o desespero vem tão forte que você começa mesmo a atirar para todo lado e a descobrir informações de que nunca tinha ouvido falar.

No final do ano passado, quando depois de me matar de estudar e gastar o que não tinha eu continuei com uma nota apenas mediana no TEF, eu desanimei do processo canadense de uma maneira como nunca tinha desanimado antes. Tentando colocar a minha bola pra cima, o copain ressucitou a história dos processos de imigração como autônomo e eu remarquei o meu IELTS meio que de forma automática, porque o exame que prestei em 2015 ia deixar de valer agora em março. Acontece que no intervalo entre a minha inscrição e a aplicação da prova nós descobrimos um processo de visto para empreender em Portugal, que, apesar de não dar a residência permanente, autorizaria o copain a fazer exatamente a mesma coisa que ele faz aqui lá na terrinha – com o plus de poder me levar e com visto sendo emitido em pouco mais de 2 meses após a apresentação dos documentos. Assim, só para relembrá-los, o plano A era Québec; o plano B era o Express Entry (com seus vários possíveis destinos); e agora tínhamos um plano C, que seria colocado em prática a partir de abril, caso não conseguíssemos nos inscrever por Québec (de novo).

Lá nos primórdios de 2008, eu morei durante seis meses em Portugal como bolsista do programa de mobilidade do Banco Santander. Sei assim que a terra do pastel de nata tem mil coisas maravilhosas e outras tantas um bocado desagradáveis, mas o baixo custo de vida, a suposta facilidade do processo de visto de trabalho e a porta aberta para nos aventurarmos pela Europa a preços módicos foram se enraizando na minha cabeça e tornando a ideia bastante atrativa. Pior, estes e outros quesitos que favorecem a imigração para Portugal começaram a dar frutos na cabeça do copain. Aos poucos fui percebendo que o tal plano C estava se transformando em plano A e a cada vez que tocávamos no assunto, a listinha dos prós ganhava pontos em relação a dos contras. E então veio a prova do IELTS, e eu mergulhei nisso, como se precisasse de uma boia salva-vidas: era agora ou nunca! Se o resultado fosse ruim, eu abandonaria de vez a ideia do Canadá; se eu fosse bem… E se eu fosse bem? Essa pergunta martelou na minha cabeça inúmeras vezes e, se no começo o copain respondia imediatamente que iríamos para o Canadá, nas últimas semanas, eles começou a se tornar reticente. Como andei me decepcionando um bocado nos testes de francês e não tinha conseguido nenhuma marca excepcional no teste de 2015, não achei realmente que o CLB 9 seria possível.

Na quinta, o meu sonho com contornos de pesadelo começou. A gente estava tão perto de conseguir. E tínhamos perseguido aquela ideia durante tanto tempo: há mais de dois anos abracei este projeto de vida e eu simplesmente não estou pronta para abdicar dele. Então, o que fazer quando cada um quer uma coisa diferente? E quando essas ideias ainda dependem de um monte de SEs?

Calma, gente, ninguém aqui vai se separar. Até porque até agora tudo o que temos de ambos os lados são expectativas. Primeiro essas expectativas têm que se tornar realidade, mas elas já definiram uma mudança gigantesca no MEU projeto de imigração. É, desde ontem, estou aplicando sozinha – assim como o copain também aplicará por conta própria para Portugal no segundo semestre. A ideia é que cada um experimente a vida lá fora no seu país de preferência por seis meses. Eu já sei o que é morar em Portugal; ele ficou muito mais tempo no Canadá do que eu, com uma rotina muito próxima da que teríamos se mudássemos para lá. Agora é a vez de invertermos os papéis e ao final desse período, decidirmos onde queremos ficar.

O processo individual representa uma economia momentânea, já que não precisaremos correr atrás de comprovantes de união estável, os fundos a serem comprovados são menores e, acima de tudo, as minhas chances de ser convocada no próximo round aumentam, dispensando a necessidade de uma indicação provincial (e de ter que pagar por ela).  Depois, após tomarmos uma decisão definitiva, entraremos com processo de reagrupamento familiar num país ou noutro.

Com as mudanças no perfil do Express Entry eu alcancei 456 pontos, que, apesar dos updates realizados na tarde de ontem, ainda não aparecem atualizados no MyCIC*. Fico repetindo pra mim que isso é normal – o site informa que a atualização dos pontos pode levar até 24 horas -, mas a ansiedade está a mil. Dentro de uma semana deve sair uma nova nota de corte e aí sim eu devo entrar em parafuso de vez. Na melhor das hipóteses, embarco em janeiro para Ottawa – em pleno inverno canadense. Na pior, sigo mais uma vez para Portugal. Navegar não é nada preciso.

*Perfil atualizado:

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