Exames. Checked?

Já tem cerca de uma semana que estou enrolando para escrever este post, mas existem motivos concretos para isso. Queria falar da experiência como um todo, incluindo o exame médico do copain, que, por uma série de desinformações, só conseguiu concluir esta etapa hoje. E como não sou quase nada ansiosa, arranjei mais alguns motivos para aumentar a minha insônia.

Nossos exames foram realizados em dias diferentes, pura e simplesmente porque não sabíamos que o copain também teria que passar pelo exame médico. Eu só descobri isso ao terminar de preencher o formulário do pedido de visto (aquele mesmo em que eu tive que listas todas as nossas saídas do país, uma a uma, nos últimos dez anos e que levei uns dois ou três dias pra terminar porque não sabia se poderia corrigir os dados depois). Inicialmente achei que tinha preenchido algo errado e que, por isso, estavam pedindo os documentos dele, mas depois descobri isso aqui:

“If you apply for permanent residence, you must have an immigration medical exam. Your family members must also have a medical exam, even if they are not coming with you.”

O meu exame foi feito numa clínica de Higienópolis, bairro na zona oeste de São Paulo. Foi minha primeira opção por se tratar do consultório mais próximo da minha casa e depois descobri que é também o consultório com maior disponibilidade de datas atualmente. Mandei um e-mail para eles na quarta-feira, ao qual me responderam que poderiam marcar minha consulta para a segunda-feira seguinte. Perguntei se não poderiam me encaixar na sexta-feira, pois estava com medo que meu ciclo interferisse no exame de urina e fui prontamente atendida. Neste dia, cheguei mais cedo e peguei o pedido do exame de sangue para fazer no laboratório Lavoisier (coberto pelo plano de saúde), o exame de urina foi feito na clínica. O pedido de exame precisa estar no nome do médico autorizado pelo consulado, por isso não adianta pedir para o seu médico de longa data adiantar esse serviço para você. Tentar cortar caminho aqui só vai dar mais despesa, pois vc terá que fazer os mesmos exames duas vezes e o convênio não vai querer arcar com a segunda.

A consulta incluindo o exame de urina custou R$ 400,00 e levou cerca de meia hora dentro do consultório. Passei por ausculta de pulmão e batimento cardíaco, pesagem, medição de altura e pressão, mais o exame de vista (os ceguetas rebeldes como eu devem levar os óculos) e por um questionário interminável em que minhas resposta sempre eram não. Saindo de lá fui ao laboratório Fleury, que fica a três quadras do consultório para fazer o raio-x de tórax. Este exame precisa ser agendado, mas se você chegar mais cedo (como aconteceu comigo), eles podem tentar encaixar. Só de bater o olho no nome do médico a atendente já peguntou se era para imigração e para qual país, e informa que um convênio com o consulado canadense, o exame tem um desconto e custa aproximadamente R$ 190,00. Levei duas horas entre pegar o pedido do exame de sangue  no consultório e sair do raio-x direto para minha casa.

No geral o atendimento foi satisfatório, exceto por um porém: as atendentes do consultório não tem assim aqueeeeela boa vontade. Na verdade a culpa nem é delas, mas elas acabam confundindo a gente. Por exemplo, no meu caso, eu precisava fazer um exame upfront, ou seja, sem aquela solicitação que vem pra quem passou pelo processo provincial do Quebec. Daí ela me deu uma folha e me mandou colocar para que tipo de visto era. Eu anotei que era para residência permanência – e não é? Daí ela disse que aquele tipo de visto não existia. Como? Que só existia o de estudante, o de família, o de trabalho e um outro lá que agora eu não me lembro. Depois de pensar um pouco (é, eu tive que pensar), entendi que deveria pedir um exame para visto de trabalho, afinal o nome do meu programa é Federal Skilled Worker, né? E ainda tive que ouvir  se eu tinha certeza daquilo. Provavelmente alguém já informou isso errado e depois quis pedir para refazer sem custo. Acontece que quando tentei mostrar o myCic pra ela confirmar, ouvi ela disse que não ia olhar e que eu tinha que saber qual era – de uma forma mais educada, obviamente, mas se eximindo de qualquer tipo de responsabilidade.

Isso acabou sendo um problema quando o copain foi fazer o exame dele, na quarta-feira seguinte. Como ele não vai pro Canadá ficamos sem ter certeza se ele tinha que fazer o exame de família ou o de trabalho – afinal, ele não vai trabalhar, só está fazendo o maldito porque é meu conjoint. Por alguma ideia estúpida, resolvemos que ela ia confirmar no consultório e aí a secretária falava que ele tinha que ter um IME, que não pode fazer o exame de família sem um IME, e criou uma confusão quando então ele sugeriu para fazer o exame como sendo de trabalho. Ele não conseguia falar comigo no celular, então decidiu ir embora e marcar para outro dia, que acabou sendo hoje. Nem preciso dizer que isso gerou um stress desnecessário. Outra coisa: não informaram para ele que seria necessário agendar o exame de raio-x, e, por sorte, hoje de manhã, lembrei que ele não tinha comentado nada sobre o horário do raio-x. Decidi ligar pro Fleury e fazer o agendamento por conta própria – na pior das hipóteses eles teria dois horários agendados. Eu fui buscá-lo na saída do exame e, no wonder, ele veio me dizer já meio bravo que a secretária falou que ele tinha que ter agendado um exame e que, como não tinha feito isso, era pra ele ir num laboratório do outro lado da cidade que lá eles também eram credenciados e não precisava de agendamento. Eu expliquei que tinha lembrado disso esta manhã e que tinha ligado no Fleury ali daquele bairro, que só tinha horário no final da tarde, mas que eu achava que a gente podia dar um pulinho lá pra ver se não dava pra encaixar.

O laboratório estava lotado, o que achei que seria mal sinal, e de certa forma foi. Levamos quase meia hora para passar pela triagem, mas não apenas conseguimos adiantar o exame como saímos de lá menos de 15 minutos depois. Quando retornei ao trabalho, o copain já tinha terminado todos os exames e chegado em casa. Os custos foram idênticos aos meus.

A única coisa diferente aconteceu por conta do histórico médico dele. Há dois anos o copain toma remédio pra pressão alta (dizem que é comum depois dos 40) e acredito que a medição da pressão tenha dado alterada, pois o médico pediu um exame extra pra ele. Imagino que isso não será um problema, pois o copain contou que o médico até já explicou o que ele tem que fazer para comprar o medicamento lá no Canadá, mas nem preciso dizer que meu coração começou a bater ainda mais apertado, precisa? Enquanto isso, continuamos atrás do atestado de antecedentes criminais do Reino Unido. Antes dele chegar, será impossível completar a aplicação.

 

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