Choices…

No último dia 18 dei meu derradeiro adeus. Depois de tanto ensaio, tanto trabalho, tantas noites em claro. A vida em três malas de 23 kg e as saudades antecipadas pesando toneladas. Eu não desembarquei no Canadá, como muitos de vocês podem estar imaginando. Há dez dias vivo em Portugal.

É difícil descrever meu estado de espírito atual. Cheguei sozinha, sob o céu cinza e a garoa fina. As nuvens choravam comigo? É difícil saber. Tão difícil quanto descobrir se estou fazendo a coisa certa, quanto adivinhar se vai valer a pena. O tempo firmou em poucos dias e o sol brilha lá fora, mas ainda não estou feliz.

Muito tempo atrás eu comentei neste mesmo blog que tinha sido aprovada num mestrado por aqui. Acredito que também comentei que, por um motivo qualquer, meu namorado parecia preferir um futuro em Portugal. Eu tinha um deadline: as aulas começariam em 03 de outubro. O projeto dele, como sempre, era a perder de vista.

Não vou comentar por hora sobre os procedimentos para obtenção do novo visto.  Tiveram lá sua carga de stress, mas, em comparação aos mais de dois anos de preparo para o processo canadense, o português foi quase como puxar um band-aid (rápido e quase indolor). O fato é que temos os dois o selo que autoriza nossa entrada e o trabalho vinculado a uma empresa que acabamos de criar. Eu aqui e ele no Brasil, ao menos até o final do próximo mês.

Ainda não tenho casa, não tenho amigos, não tenho vontade de chamar este lugar de lar. Tudo é estranhamento. Espero ele chegar com a ânsia de que, finalmente, meu coração possa se acalmar. As despedidas foram intensas e estar longe de todos dói tanto. Dói muito mais do que eu lembrava, dói muito mais do que eu poderia imaginar.

Daí o meu primeiro impulso é me afastar e recusar o contato, porque isso traz a lembrança do que eu deixei pra trás. Além disso, eu não quero contar dos meus dias aqui, porque, salvo breves momentos em sala de aula, eu me sinto uma fraude, lutando para conquistar um lugar (qualquer lugar). É extremamente doloroso tentar demonstrar a todos que as coisas vão bem e ainda pior ter de ouvir repetidamente o mesmo conselho de quem não sabe o que aconselhar. “Tudo vai passar, você vai se adaptar”. Eu sei disso. Eu já fiz isso. Mas nada impede que eu me dilacere todas as vezes que isso ocorre.

Hoje, só me resta admitir que eu – que gosto tanto de estar sozinha – sofro de solidão. Aceito recomendação de chás milagrosos e canções animadinhas. Palavras, bastam as minhas.

 

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Um comentário sobre “Choices…

  1. Autora Vida Canadá disse:

    Gostei muito do seu relato. Consigo me ver passando pela mesma situação daqui a um tempo no Canadá – então também só consigo imaginar como deve ser insuportável esse tipo de comentário genérico que você tem ouvido. Sobre canções animadinhas, recomendo Two Door Cinema Club. Sobre seriados bons, recomendo Atypical (bonitinha e leve). Comecei a ver House of Cards tardiamente, mas tou amando. Abraço!

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